Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 18/09/2020

A partir da Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora o Brasil apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na ansiedade promovida pelos desafios do mundo moderno. Dessa forma, observa-se que os obstáculos no combate à ansiedade na sociedade contemporânea reflete um cenário complexo, em virtude da constante necessidade de se ‘’encaixar’’ na coletividade, além do tabu ao redor das pessoas que sofrem desse mal.

Em primeiro plano, é preciso atentar para necessidade de se “encaixar” na coletividade presente na questão. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da ansiedade encontra respaldo na estrutura associada ao pensamento coletivo das pessoas, isto é, a busca incessante de pertencimento a um grupo ou alguma causa, abdicando de sua individualidade e desejos pessoais, o que acaba por provocar pensamento negativos, impotência e falta de concentração, intensificando o sentimento de ansiedade pela comparação com outras pessoas, tornando sua solução ainda mais complexa.

Vale ressaltar, também, que a ansiedade no país evidencia um grande tabu à respeito da patologia por pessoas leigas no assunto . Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o do ansiedade seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se a a persistência do estereótipo presente na sociedade contra pessoas acometidas por essa enfermidade como outro agente influenciador do revés, visto como ‘‘frescura’’ por grande parte da população descrente da gravidade da doença, a qual pode estar presente até mesmo em amigos ou parentes próximos. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que o governo federal, em parceira com o Ministério da Saúde, criem programas por meio da ampliação de serviços médicos e triagem psicológica para as pessoas que buscam tratar a ansiedade, de modo que faça com que as vítimas acometidas pela doença sejam melhor acolhidas e tratadas de forma adequada. Tais campanhas devem refletir na importância de se impedir o crescimento de casos de pessoas ansiosas na sociedade, a fim de que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem-estar coletivo. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.