Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 21/09/2020
A agenda ONU 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam prosperar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de saúde e bem-estar. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto discutido é a ansiedade na sociedade contemporânea. Nesse sentido, seu problema não só deriva da indiferença estatal com a causa, mas também da cultura da alta produtividade.
É fulcral pontuar, primordialmente, que uma das causas de doenças psicológicas é a negligência governamental. Nessa perspectiva, de acordo com a lei número 8080 da Constituição Federal de 1988, o Estado é responsável pela promoção, proteção e recuperação da saúde populacional. No entanto, o que se observa, hodiernamente, é um sistema de saúde precário, que não tem condições estruturais de tratar distúrbios psicossomáticos - evidente na pesquisa da Organização Mundial da Saúde, em que no Brasil, 9,3% da população sofre de ansiedade e representa o país com mais casos no mundo. Logo, é notório o descaso estatal com a ansiedade populacional, que além de não cumprir sua Constituição, também gera uma massa de pessoas adoecidas mentalmente, uma vez que, muitas vezes, elas não conseguem os tratamentos psicológicos necessários.
Além disso, é imperativo ressaltar a cultura da alta produtividade como agravadora da problemática. Nessa ótica, segundo Byung Chul Han, na contemporaneidade, vive-se a chamada “Sociedade do Cansaço”, na qual é exigido, constantemente, alto desempenho social, profissional e pessoal dos indivíduos. Porém, essa grande imposição, tanto deixa os cidadãos sem tempo para cuidar da saúde, quanto intensifica a utilização de medicação para a melhora do desempenho. Por conseguinte, a ausência de cuidados psicológicos, somados à busca pela alta performance, têm como consequências o aumento de doenças psicossomáticas, por exemplo, a ansiedade.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas a fim de diminuir os impactos da ansiedade na sociedade contemporânea. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado - Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais - crie propostas que visem reduzir a negligência estatal e os impactos da cultura da alta produtividade. Isso será feito mediante a destinação de verbas para a implementação de centros de atendimentos psicológicos gratuitos, que objetive atender a população em geral. Somente assim, pode-se chegar à realidade proposta pela ONU para 2030.