Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 13/10/2020
Nos dias atuais, o Brasil vem sofrendo inúmeras crises trabalhistas, educacionais e estruturais. Tais problemas, indubitavelmente, acentuam e desenvolvem quadros de ansiedade nos brasileiros, variando de graus mais leves aos mais graves. Sob essa óptica, faz-se imperioso apontar não somente a cultura da ansiedade enraizada por gerações, mas também o lado negativo do uso das redes sociais como principais responsáveis desse problema.
Com base nisso, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é um importante colaborador para a perturbação mental de jovens estudantes do Brasil. Um estudo realizado pela Universidade de Cornell mostrou que uma variante genética presente em 80% da população está ligada à ansiedade. Ainda, potencializada a uma instrução que, embasada na ansiedade dos pais, possa ser hiperbolicamente exigente, fato comum na sociedade atual, que pode acarretar em diversos transtornos psicológicos. Infelizmente, tornou-se cada vez mais comum casos em que os pais impõem seus sonhos não concretizados a seus filhos, sendo o vestibular um dos principais caminhos para esse tipo de abuso. Uma cobrança pesada e desnecessária acaba afetando jovens desde muito cedo.
Sob essa análise, “evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas” é uma das célebres frases do pai da realidade virtual, Jaron Lanier, em que aborda o lado negativo das tecnologias sociais. Hodiernamente, o uso de aparelhos e da internet tem sido matriz de doenças psíquicas - como a ansiedade-, atingindo influenciadores midiáticos em sua maioria. Apesar do século XXI ser o “século da comunicação”, o homem moderno vive cada vez mais isolado socialmente, vislumbrado com o consumo, gozo e artificialidade do agora, como aponta o escritor Bauman no livro “Modernidade Líquida”. A insaciável vontade de ter mais likes vem afetando o estado emocional de usuários do “Instagram”, por exemplo, que gera angústia e, consequentemente, ansiedade em jovens famosos ou até mesmo Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), quadro mais grave dessa doença.
Assim, cabe ao Ministério da Saúde, atrelado ao Ministério da Educação, promover um maior destaque de investimentos para o tratamento de doenças psicológicas, por meio de palestras incentivadoras e educacionais, com o objetivo de desconstruir o pensamento imediatista em jovens, em especial, para pré-vestibulandos. Ademais, as mídias digitais devem divulgar e ensinar informações sobre a ansiedade em plataformas populares, como o “Facebook” e “Instagram”, com o fito de conscientizar não apenas os adolescentes (que são maioria nessas redes), mas também seus pais, encerrando uma cultura secular de pressões descabidas e frustrações de ambas as partes. Assim, o Brasil deixará de ser um dos países mais ansiosos do mundo.