Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2020

Há obstáculos para combater a ansiedade na sociedade hodierna. Essa afirmação pode ser comprovada pela visão de Daniel Martins, psiquiatra brasileiro, que acredita existir tabus na questão que concerne o uso de remédios para tratar esse transtorno. Diante disso, é lícito afirmar a necessidade de solucionar essa problemática, que perpetua em virtude da influência negativa da mídia e da formação socioeducacional.

A princípio, é preciso atentar para a falta de debate, que é um fator determinante na persistência desse problema. Nesse sentido, conforme Michel Foucault, filósofo francês, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, constata-se que os grandes veículos de comunicação precisam informar à população sobre a ansiedade, pois trazê-lo à pauta e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele, mas isso não tem ocorrido, tendo em vista a insuficiente exposição desse transtorno e a ausência de debates sobre intervenções para resolvê-lo. Logo, indubitavelmente, com a escassa abordagem, a falta de conhecimento da população sobre a questão continua, igualmente como o impasse, já que se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o distúrbio, sua visão será limitada, o que dificulta a sua erradicação.

Somado a isso, convém ressaltar que o sistema educacional é um forte empecilho para consolidação de uma solução. Nessa perspectiva, de acordo com Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação presente no Brasil é “bancária”, isto é, não estimula o senso crítico e a autonomia do indivíduo. Dessa maneira, verifica-se que o sistema de ensino brasileiro precisa levar à pauta o combate à ansiedade, mas isso não tem ocorrido, já que a grade curricular explora apenas assuntos conteudistas que fazem esse tema não receber a atenção devida, o que acaba por dificultar uma possível atuação futura sobre ele. Assim, infelizmente, esse cenário prejudica a resolução desse transtorno, já que forma cidadãos despreparados para entender e lidar com ele.

Portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática devem ser tomadas. Posto isso, a escola deve, em parceria com redes de radiotelevisão, por meio de debates com alunos e professores, promover rodas de conversa e discussões sobre os desafios para combater à ansiedade na sociedade contemporânea. Esse projeto ocorrerá no período extraclasse e terá transmissões ao vivo, além de serem abertas à comunidade. Espera-se, com essas medidas, que mais pessoas compreendam questões relativas ao transtorno e se tornem cidadãos mais atuantes em busca de resoluções, com o fito do pensamento de Daniel Martins se tornar ultrapassado.