Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 22/09/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos cidadãos o direito à saúde e o bem-estar. Contrariamente, no Brasil, as pessoas que sofrem de ansiedade não encontram esse respaldo no combate à doença, não desfrutando assim desse direto universal. Diante dessa perspectiva, observa-se a consolidação de um grave problema em virtude da falta de ações governamentais e o individualismo social, a fim de se atenuar, com urgência, seus efeitos maléficos.

A ideia de que o homem é soberano sobre seu próprio corpo e mente, proferida pelo filósofo John Stuart Mill, transmite uma ideia equivocada sobre o atual cenário psíquico da população brasileira. Sabe-se, entretanto, que os transtornos psicológicos, estão cada vez mais presentes na vida dos indivíduos, ainda que como uma “epidemia silenciosa”, devido ao grande tabu da atual Era Contemporânea, em que a constante auto cobrança para seguir um ideal de predileção a ser alcançado, que, como tal, foge do controle do indivíduo, afetando negativamente suas atividades corriqueiras. Nesse sentido, faz-se necessária uma abordagem criteriosa do tema, a fim de solucioná-lo.

Além disso, o individualismo da população também configura-se como um entrave na resolução da ansiedade. Acerca disso, destaca-se a obra “Modernidade Líquida”, na qual Zygmout Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse viés, entende-se que a população tem cada vez menos empatia pelo próximo. Por outro lado, a diminuta busca por ajuda acaba por expandir ainda mais o número de ansiosos. Nesse ínterim, muitos dos ansiosos passam a dificuldade de enfrentar os estereótipos presentes na sociedade para admitir que precisa de ajuda.           Diante do exposto, conclui-se que a ansiedade na sociedade contemporânea urge por visibilidade. Logo, cabe ao Poder Público tomar medidas efetivas a fim de coibir os efeitos maléficos provocados pela ansiedade no Brasil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em consonância com o Ministério da Saúde provir atendimento especializado mensal, com psicólogos e neurologistas nas escolas, faculdades, setores empregatícios e nas comunidades carentes, a fim de tornar mais acessível o atendimento a quem está mais vulnerável. Somado a isso, as propagandas comerciais na televisão, cumprindo com seu papel social, deverão encorajar as pessoas a procurarem ajuda. Tal ação objetiva, desmistificar os tabus acerca do assunto a partir da divulgação de informações sobre suas implicações no país. Dessa forma, tratando das causas e consequências da ansiedade, pode ser que, de fato, o homem seja soberano sobre seu próprio corpo e mente.