Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 27/09/2020
Na obra “O Doador de Memórias”, da escritora americana Lois Lowry, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, problemas psíquicos e desigualdades. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que a autora prega, uma vez que o número de pessoas com ansiedade - transtorno mental mais comum - aumenta a cada ano. Esse cenário antagônico é fruto de tratamentos equivocados da doença e da inatividade das instituições.
À princípio, é imperativo ressaltar que o excesso de medicamentos nos tratamentos médicos impacta de forma negativa na saúde das pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país que mais prescreve medicamentos ansiolíticos por mais tempo no mundo. Tal fenômeno se mostra preocupante, pois esses fármacos são considerados de alto risco devido aos efeitos colaterais frequentes. Com efeito, deve-se reconsiderar essa conduta, a fim de minorar seus riscos.
Em segundo plano, é válido averiguar que a negligência institucional para com a sociedade agrava essa conjuntura. Isso se dá, na prática, pela falta de abordagem do assunto nas instituições de ensino, bem como pela ausência de projetos efetivos de conscientização e informação. Diante disso, o baixo nível de conhecimento da população para lidar com os transtornos mentais constitui um empecilho para arcar com esse cenário.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para reduzir a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, rever os atuais protocolos de prescrição de ansiolíticos, enfatizando nas novas diretrizes o não uso indiscriminado dos fármacos. A fim de oferecer um atendimento mais humanizado, onde a terapia sem uso de drogas químicas predomina. Ademais, compete ao Ministèrio da Educação fomentar palestras nas instituições de ensino, com especialistas do assunto, com o objetivo de discutir a doença e abordar seus sintomas, além de apontar os profissionais habilitados que podem ajudar. Dessa forma, o problema será minimizado.