Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/09/2020

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o aumento dos casos de suicídio, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Nesse viés, os desafios no combate à ansiedade, na sociedade contemporânea, representam ainda enormes dificuldades. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.

Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater o imediatismo. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é encarregado de garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à atuação inescrupulosa das autoridades, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, cerca de 53% dos casos que envolviam ansiedade crônica estavam relacionados com a demora de resultados no trabalho e análise de processos judiciais. Dessa forma, geram-se condições favoráveis ao mal-estar psíquico, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à saúde, são ameaçados.

Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios fundamentais da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em levantamento realizado pela Revista Exame, verificou-se que os investimentos privados, destinados ao auxílio de pessoas angustiadas e ansiosas, apresentaram queda abrupta nos últimos anos, em face do encarecimento dos tratamentos. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes preceitos normativos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de dispositivos legais que mitiguem os males da ansiedade, a fim de assegurar a integridade mental e o direito à boa qualidade de vida. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores a financiarem projetos de assistência médica aos indivíduos ansiosos, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar um ambiente sadio e propício à predominância da paciência e serenidade. Assim, obter-se-ão os requisitos mínimos à restauração da soberania civil.