Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 30/09/2020
Em meados do século IV a.C, Hipócrates, médico da Grécia Antiga considerava que a sensação de angustia e o estado deprimido eram problemas que deveria ser tratado pela medicina. No cenário do período clássico da Grécia, Platão filósofo grego, acreditava que a ansiedade era um problema filosófico e não fisiológico. No contexto do século XIX, a ansiedade foi considerada como uma psiconeurose, em razão das pesquisas associadas aos termos usados por Sigmund Freud. No entanto, ainda hoje, mesmo após avanços na área da psiquiatria, há desafios para se combater a ansiedade na sociedade contemporânea, devido o preconceito e a falta de conhecimento.
Em primeiro lugar, observa-se os tabus acerca dos transtornos psiquiátricos-ansiedade, depressão, borderline-, devido os estereótipos pejorativos- “doente” ,”incapazes” ,”dramáticos”- criados pela sociedade segundo padrões morais e religiosos estabelecidos na formação do estado brasileiro. Dentro dessa lógica, vale destacar que esses preconceitos deslegitima a ansiedade e, consequentemente, potencializa a resistência das pessoas aos tratamentos psiquiátricos e medicamentosos .Desse modo, segundo a Organização Mundial da Saúde-OMS-cerca de 9,8% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e apenas um terço desses indivíduos procuram assistência médica.
Soma-se a isso a dificuldade de se realizar o diagnóstico da ansiedade, em razão da ausência de conhecimento adequado das Instituições Primárias- escola e família. Nesse sentindo, vale ressaltar a falta de percepção de professores, pedagogos e familiares, diante os sintomas, como insônia, falta de interesse, angústia, estresse e estado deprimido. Dessa forma, o tratamento adequado permite o controle das crises e dos sintomas da ansiedade. Ademais, o cenário caótico imposto pelo modelo econômico-capitalismo- embasa a pressão social e concomitantemente a competição no âmbito escolar, profissional e familiar. Logo, esse ambiente capitalista é propulsor das crises de ansiedade.
Urge, portanto, que o Governo Federal, em ação conjunta com o Ministério da Educação, mediante o repasse de verba, promova campanhas educativas, por meio de redes de amplo alcance, como rádios, TV e redes sociais. Isso deve ocorrer a fim de proporcionar conhecimento sobre o que é a ansiedade, os sintomas e os tratamentos acerca desse transtorno. Em adição, é fundamental que o Estado, por meio de reajuste fiscal, implemente o acompanhamento psicológico nas escolas públicas e privadas, não só para alunos, mas também para funcionários. Isso deve ocorrer com intuito de identificar e de alerta sobre a ansiedade.