Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 07/10/2020

A música “Breathin”, da cantora Ariana Grande, explicita exatamente como uma pessoa que está no meio de uma crise de ansiedade se sente, além de mostrar a necessidade de ter uma rede de apoio que, junto com os próprios esforços, a ajude a sair dessa situação. No entanto, a ansiedade atinge milhares de brasileiros, os quais, muitas vezes, não possuem o auxílio necessário. Dessa forma, os próprios aspectos da sociedade contemporânea e os fatores propiciados pelo avanço constante da tecnologia atuam como desafios no combate à ansiedade no Brasil.

É válido retratar, em primeira análise, de que forma as condições do mundo atual propiciam o aumento de casos de ansiedade. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, no mundo moderno, o que é valorizado é o contínuo fazer — um desassossego de ação e produção constantes. Assim, a partir desse cenário de cobrança e pressão exercidas sobre as pessoas, surgem doenças como a ansiedade. Além disso, as dificuldades enfrentadas ao longo da vida — como a cobrança no ambiente de trabalho, situação de desemprego, provas para aderir a uma faculdade ou atividades escolares —, ocasionadas por conta de metas instituídas socialmente, geram o estresse e preocupação excessivos em todas as parcelas da sociedade.

Cabe considerar, em segunda análise, os impactos do avanço tecnológico no aumento desse transtorno no país. De fato, a internet e todos os meios tecnológicos trouxeram agilidade e praticidade para a vida humana. No entanto, a rapidez dos processos virtuais acaba promovendo o pensamento imediatista — descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman — na sociedade. Desse modo, a pressa pela finalização de atividades ou, até mesmo, a ideia da “perda do tempo”, contribui diretamente com o crescente número de pessoas ansiosas e frustradas. Dessa forma, percebe-se a necessidade do combate à essa situação.

Mediante o exposto, percebe-se que esses fatores acarretadores da ansiedade precisam ser alterados de modo a garantir o direito à saúde — instituído pela Magna Carta de 1988. Logo, o Ministério da Saúde, aliado à mídia brasileira, deve promover campanhas de conscientização a empresas, as quais retratem a importância da saúde mental dos trabalhadores, por meio de propagandas informacionais sobre o transtorno — divulgando práticas a serem realizadas durante o expediente para manter a integridade mental desses. Espera-se que, a partir dessa medida, a sociedade contemporânea possa ter a rede de apoio necessária, retratada na música “Breathin”.