Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

No filme “O Lado Bom da Vida” é abordada a história de Pat Solitano, personagem que perdeu seus bens, o emprego e a esposa devido ao seu transtorno psiquiátrico. Tal questão transcende a obra ficcional e mostra-se presente na realidade brasileira, por meio dos desafios no combate à ansiedade na conjuntura hodierna, uma vez sustentados pela ineficiência do Estado e pelo preconceito social. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.

A princípio, vale destacar que a ausência de políticas públicas de saúde voltadas à assistência na ansiedade dos brasileiros contribui ao quadro deletério. Nesse viés, é indubitável que a saúde é um direito garantido a todos os cidadãos pela Constituição de 1988. Porém, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui o maior número de indivíduos ansiosos no mundo, o que evidencia a insuficiência de recursos e de auxílio médico direcionado ao tratamento de transtornos mentais. Destarte, isso comprova a inoperância governamental em assegurar esse benefício à população, resultando na intensificação do cenário negativo.

Ademais, convém ressaltar que o prejulgamento presente na sociedade com os portadores de distúrbios psiquiátricos influencia na persistência do impasse. Conforme o filósofo Nicolau Maquiavel, “os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios”. Sob tal ótica, é possível constatar a dificuldade de reagir contra os preconceitos existentes no contexto social e, majoritariamente, quando há incompreensão de sua gravidade, como nos casos de pessoas com ansiedade. Logo, nota-se a necessidade de desmitificar os conceitos equivocados a respeito das doenças mentais e salientar o debate sobre a temática.

Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis visando mitigar os entraves à resolução das dificuldades no combate à ansiedade na sociedade moderna. Para tanto, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, proponha um projeto de lei a ser entregue para a Câmara dos Deputados, que garanta o estabelecimento de programas institucionais de assistência médica e psicológica, por meio da ampliação de serviços terapêuticos nas unidades básicas de saúde. Tal documento deve estar previsto uma estratégia específica para o atendimento desses indivíduos e abranger a relevância da colaboração da comunidade, com intuito de proporcionar um tratamento eficaz e com equidade, além de extinguir a intolerância no corpo social. Dessa forma, histórias como a de Pat Solitano apresentada no filme, não ocorrerá na contemporaneidade.