Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir. Essa visão, embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que há dificuldade em combater a ansiedade na sociedade contemporânea, situação que compromete as escolhas desses indivíduos. Isso ocorre tanto em função da insegurança desencadeada pela inabilidade em aceitar o novo, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa: essa consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, o transtorno de ansiedade e a influência passada de geração em geração não pode ser aceita em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.       Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo essa, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a ser difundida são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos, que os leva ao distúrbio de saúde mental caracterizado por sentimentos de preocupação, como o estresse desproporcional.       Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, em conjunto com o Sistema Único de Saúde (SUS), deve propor a criação de postos clínicos, em todas cidades brasileiras, com atendimento médico e psicólogo, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais unidades têm como finalidade garantir apoio gratuito aos que necessitam de auxílio para combater a ansiedade e servirão para garantir o tratamento necessário para esses. Como também, o Ministério da Educação, deve levar debates sobre como reduzir o estresse diário para as escolas, para que as crianças e adolescentes passem a ter esse conhecimento prévio. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema, com a diminuição de casos de pessoas com ansiedade.