Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/10/2020
No desenho animado “Bob Esponja”, é perceptível que esse personagem sofre transtornos de ansiedade, especialmente, no episódio em que Bob realiza o exame para obtenção da carteira de habilitação, sendo reprovado devido ao seu descontrole emocional. Fora da ficção, tal cenário corresponde à realidade brasileira, uma vez que há desafios no combate à ansiedade, na medida em que não só tem-se a banalização dessa doença, mas também a predominância da cultura do sucesso, a qual intensifica as pressões sociais.
Em primeiro aspecto, embora seja dever da Constituição Cidadã de 1988 garantir a todos uma educação de qualidade perante a lei, na prática, tal isonomia não é concretizada. Nesse contexto, observa-se que em um local onde se deveria haver a ampla discussão sobre a ansiedade, emprega-se a manutenção da ignorância, visto que não há, majoritariamente, nas escolas, uma equipe apta a debater a respeito dos sintomas e consequências dessa enfermidade, sendo, muitas vezes, a escola uma instituição que potencializa a ansiedade, em razão do excesso de tarefas exigidas. Visto isso, ao negligenciar a existência dessa doença, dificulta-se também o tratamento dela, já que, de acordo com a revista “Veja”, 30% dos brasileiros associam os sintomas da ansiedade ao stress, o que ilustra o conhecimento defasado que é aplicado no país.
Paralelo a isso, segundo a perspectiva de Sigmund Freud, “Cultura do Sucesso” refere-se à pressão social que é imposta ao indivíduo para que ele obtenha êxito em todos os âmbitos da vida de maneira mais rápida possível. Sob essa ótica, nota-se que esse paradigma compromete a saúde mental da população, posto que a busca pelo modo de vida perfeito culmina, geralmente, em frustração, pois as oportunidades não são igualitárias e, assim, acentua-se a ansiedade. Por conseguinte, esse mal pode progredir para a depressão e, posteriormente, para o quadro mais agudo, isto é, o suicídio, o qual é visto como válvula de escape diante dos estereótipos estabelecidos. Desse modo, a atriz Cleo Pires atua como exemplo dessa problemática, já que desenvolveu ansiedade em decorrência das pressões que foram impostas a ela, o que demostra a urgência em combater essa enfermidade.
Enfim, com o intuito de que o personagem “Bob Esponja” deixe de representar a realidade, medidas são precisas. A priori, urge que o Ministério da Educação, em sincronia com as escolas, insira, na grade curricular escolar, uma disciplina que se destine a debater sobre a ansiedade, ao enfatizar as consequências e sintomas dessa doença. A posteriori, isso só será possível por meio da inserção de psicólogos nessas instituições, os quais irão orientar os alunos acerca das pressões sociais que lhes são impostas, ao condenarem a cultura do sucesso, a fim de que haja uma sociedade mais saudável.