Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/10/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior número de pessoas afetadas pela ansiedade no mundo. Dessa maneira, com o hodierno vírus do Covid-19 e a obrigatoriedade do isolamento social, esse quadro está se tornando ainda mais intenso no país. Tal situação ocorre tanto pela ausência de uma educação emocional, quanto pela contínua necessidade de ser produtivo em meio a uma instabilidade mundial. Assim, são imperativas medidas do Estado a fim de mitigar essa problemática.

Vale ressaltar, a princípio, que a falta de orientação estudantil sobre a importância de ter uma boa saúde mental é uma das causas desse imbróglio. Segundo Rubem Alves, importante escritor, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista que podem proporcionar voos e progressos ou alienação. Nesse sentido, constata-se que a carência de ensino sobre psicologia e estabilidade emocional a crianças e adolescentes gera cidadãos doentes mentalmente. Essa situação os prejudica na realização de atividades cotidianas e, também, na adaptação a momentos pandêmicos e dificultosos. Dessa forma, enquanto as instituições escolares representarem gaiolas, o Brasil continuará com a alta taxa de pessoas ansiosas, como exposto pela OMS.

Outrossim, observa-se que, apesar das pessoas permanecerem em casa devido ao vírus, as cobranças profissionais e estudantis se intensificaram. No livro “Sociedade do cansaço”, do autor Byung Chul-Han, é apresentado o fato de que a rotina acelerada e de muito desempenho praticada pelas pessoas originam doenças neurais. Nessa perspectiva, nota-se que a constante cobrança dos indivíduos em meio a pandemia cria um aumento na ansiedade e depressão, visto que, por passar mais tempo em casa, os cidadãos se veem obrigados a realizar tarefas de modo rápido e excessivo. Essa situação é extremamente preocupante, pois sabe-se que uma má saúde mental favorece, também, a fragilidade física, o que propicia a contaminação do Coronavírus.

Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para melhorar o quadro neural dos cidadãos. A fim de formar uma geração com boa saúde mental, urge que o Ministério da Educação crie uma grade de aulas focadas em emoções e sentimentos. Tal medida deve ser feita por meio de conversas com psicólogos e outras especialistas da área, promovendo a reflexão sobre a vida e os limites físicos e mentais das pessoas. Logo, será formado indivíduos que prezam pelo cuidado mental.