Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 21/10/2020
Com o advento da Segunda Revolução Industrial, o mundo entrou em um processo de acelerada produção, onde operários trabalhavam muito e com pouco descanso, baixos salários e péssima situação de segurança, o que comprometia a saúde mental dos trabalhadores. Nesse viés, percebe-se que, contemporaneamente, no Brasil, os problemas são muito parecidos. A sociedade está cansada e com pouco tempo, o que favorece o estresse e o surgimento problemas de saúde como a ansiedade. Esse imbróglio é reforçado pela pouca atenção dada à doença pela população e pelas dificuldades impostas pela sociedade contemporânea.
Em primeiro lugar, é necessário abordar a atitude da sociedade brasileira frente à situação da saúde mental. Consoante à Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Desse modo, um dos comportamentos perpetuados é a minimização da ansiedade. Assim, muitos indivíduos enxergam a doença como algo pouco importante e que não merece atenção, gerando constrangimento e medo a quem está sendo afetado pois, muitas vezes, este comportamento é reproduzido por amigos e familiares. Como consequência, as pessoas ansiosas não recebem tratamento adequado, o que pode levar a outras doenças como a síndrome do pânico e depressão.
Outrossim, destaca-se as inúmeras pressões que os cidadãos enfrentam hodiernamente. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o indivíduo vive, atualmente, em uma realidade em que as incertezas prevalecem. Esse conceito, que chamou de “Modernidade líquida”, tirou do ser humano as certezas quanto ao emprego, educação e bem-estar social. Diante desse cenário, percebe-se que as preocupações prevalecem no dia-a-dia do brasileiro, o que agrava o grau de ansiedade da população. Isso se evidencia, por exemplo, ao observar a ansiedade gerada pelo vestibular em jovens, a pressão em conseguir bons resultados no trabalho ou a preocupação gerada pela falta de dinheiro em uma mãe solteira. Entretanto, este cenário é mutável e pode ser alterado.
Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para coibir o avanço de casos de ansiedade entre os brasileiros. O Estado, por meio do Ministério da Saúde e em conjunto com a mídia, deve veicular campanhas sobre saúde mental, orientando sobre a importância do diagnóstico e debate sobre a saúde mental entre os brasileiros, visando amenizar o preconceito sofrido por quem tem o transtorno. Ademais, ele deve investir no acompanhamento psicológico e psiquiátrico de toda a população, oferecendo, através do SUS, profissionais capacitados para tratar e combater todos os males que a ansiedade causa. Com tais mudanças, a sociedade poderia, enfim, tornar-se menos ansiosa.