Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 28/10/2020
A evolução da medicina, vivenciada, principalmente, entre os séculos XX e XXI, foi marcada pela descoberta de várias novas doenças antes desconhecidas pelo homem. A ansiedade, por exemplo, doença que, antigamente, era vista como loucura ou hiperatividade, é um distúrbio que, hoje, a sociedade contemporânea possui uma extensa gama de diagnósticos e informações. Entretanto, apesar de sua facilidade diagnóstica, a ansiedade é, ainda, uma das doenças mais crescentes do século atual e enfrenta desafios relacionados, sobretudo, à cultura da medicalização e ao bombardeamento de informações via internet.
Antes de tudo, nota-se que o intenso uso de medicamentos ansiolíticos é um desafio no combate à ansiedade no cenário hodierno brasileiro. O uso de medicamentos fitoterápicos é recomendado no tratamento de transtornos ansiosos, pois eles não tornam o paciente dependente de medicação. Entretanto, com o intuito de aliviar rapidamente os sintomas da doença, o paciente prefere encarar uma alta dose medicamentosa, antes de consultar um profissional psicológico ou de ingerir medicamentos naturais. Assim, o aumento da dependência e a resistência do organismo aos seus efeitos dificulta o combate da doença. Dessa forma, é necessária uma análise do tratamento medicinal da ansiedade, para posterior modificação esse quadro.
Em segundo lugar, o bombardeamento de informações via internet contribui para o aumento da ansiedade entre a população. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Baumann, na era da informação a invisibilidade é equivalente à morte. Nesse sentido, a busca pelo conhecimento de todas as informações disponibilizadas no meio online, aliada à concepção de que o indivíduo social deve estar sempre ‘‘online’’, contribuem para uma sobrecarga mental e um excesso de estresse, que podem se transformar, posteriormente, em distúrbios de ansiedade. Sendo assim, urge que a sociedade desenvolva educação no comportamento online.
Diante desse cenário, portanto, faz-se imprescindível algumas intervenções. Primeiramente, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, investir no tratamento saudável da ansiedade, através do atendimento gratuito de psicólogos e naturólogos dentro dos postos de saúde e da fiscalização dos tratamentos médicos oferecidos, a fim de que essa doença seja tratada corretamente e a sociedade não continue dependente de medicamentos. Além disso, as escolas poderiam elaborar oficinas de educação comportamental online, a fim de que, as crianças, desde cedo, sejam conscientes no uso da internet e não se sobrecarreguem com todas as informações dispostas nesse meio. Assim, a ansiedade contemporânea poderá ser, aos poucos, combatida.