Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/10/2020

O sentimento de ansiedade é considerado normal pela comunidade médica, sendo uma sensação normal antes de situações novas. Entretanto, é considerada um transtorno quando desperta reações desproporcionais a ocasião e prejudica a qualidade de vida. Essa é considerada, junto com a depressão, a doença do século XXI, e o combate à ela enfrenta dois grandes desafios: a internet e a falta de informação. Fica nítido, assim, a necessidade de ações de saúde pública.

Em primeira análise, a dinâmica da internet é muitas vezes prejudicial para pessoas com pré-disposição a transtornos psicológicos. É visto que os aplicativos podem gerar uma relação de dependência com o usuário, como explica a psicóloga Márcia Stengel que analisou em seus estudos com adolescentes e suas relações com a internet  que “Quando perguntávamos o que sentiam quando não conseguiam se conectar, eles relatavam um sentimento de ansiedade, raiva, nervosismo. Diziam sentir que não estar conectado era como estar fora do mundo, principalmente das redes sociais.”. Esse fenômeno descrito pela psicóloga é conhecido como “Fomo” (“Fear Of Missing Out”), que pode ser traduzido como “medo de ficar de fora”, e está intimamente ligado com o transtorno de ansiedade. É urgente, desse modo, repensar a forma que são elaborados aplicativos.

Em segunda análise, a falta de informação acerca dessa doença dificulta o tratamento. É sabido que no Brasil as doenças mentais e os transtornos psicológicos sempre foram um estigma, um dos marcos disso foi o Hospital Colônia de Barbacena onde na década de 1960 tratava de maneira desumana pessoas com esses transtornos e doenças que eram abandonadas lá por seus familiares, membro de Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Ed Otsuka, explica que:  “Elas não eram consideradas sujeitos, mas sim, objetos de intervenção pelos ‘detentores do poder médico’. Os seus direitos fundamentais, como liberdade e dignidade, foram retirados”. O pensamento geral pouco mudou, segundo a psicóloga Tatiane Paula Souza, os pacientes com ansiedade ainda são tratados como preguiçosos ou pessimistas, e muitas vezes não procuram tratamento por medo de julgamentos. Portanto, é preciso disseminar informação à população.

Á vista disso, urge a elaboração de programas de disseminação de informação e auxílio psicológico envolvendo a mídia e os órgãos governamentais. Primeiramente, cabe à grande mídia a propagação de informação acerca do transtorno de ansiedade, por meio de entrevistas com especialistas, campanhas e propagandas, para assim acabar com os estigmas que envolvem essa doença. Outrossim, é papel governamental promover o acesso a acompanhamento psicológico para todos. Somente assim será possível  diminuir os casos de ansiedade e garantir a saúde mental dos brasileiros.