Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 30/10/2020
Escrito por Drummond, o poema os “Inocentes do Leblon” retrata nos seus versos o comportamento omisso e displicente de uma classe média frente às mazelas sociais. Análogo a isso, com baixos investimentos em saúde mental, o Estado brasileiro se mostra negligente no combate à ansiedade, a qual acomete boa parte da população. Além disso, o estigma criado sobre doenças psiquiátrica - uma herança histórica que ainda hoje é muito presente - dificulta ainda mais o diagnóstico e o tratamento desse tipo de patologia.
Em primeiro plano, no contexto da Alemanha Nazista, na primeira metade do século XX, sob um pretexto de higienização da raça, muitos pacientes com problemas psiquiátricos foram excluídos da sociedade, e algumas mortes foram legitimadas por um princípio preconceituoso de eugenia. Tendo isso em vista, ainda nos dias de hoje distúrbios ansiolíticos são negados, minimizados e estigmatizados como uma aberração da sociedade, o que impede o tratamento correto, podendo agravar o quadro de saúde do paciente e dificultar a sua formação como um indivíduo, trazendo consequências danosas para a sociedade.
Para além disso, dados divulgados pelo Conselho de Psiquiatria do Brasil, revelam que cerca de 25% das pessoas que apresentam problemas de ansiedade não procuram um médico especialista, por conta da baixa oferta de médicos psiquiatras no serviço público de saúde e o alto custo desse tipo de profissional na rede privada. Sendo assim, o baixo investimento do Estado em áreas relacionadas à saúde mental, impede o tratamento correto dessa patologia, ou em contrapartida conduz o paciente à automedicação, a qual é uma prática altamente prejudicial à saúde, podendo trazer a tona outras doenças que sobrecarregam o sistema de saúde e trazem consequências para a sociedade como um todo.
Desse modo, é imprescindível que o poder público aumente a oferta de tratamentos de doenças psiquiátrica, como a ansiedade, por meio da aquisição de investimentos de empresas privadas, oferecendo subsídios fiscais para instituições que auxiliassem na revitalização e construção de centros especializado no tratamentos desse tipo de enfermidades mentais, a fim de facilitar o acesso de pacientes com transtornos ansiolíticos ao tratamento adequado. Ademais, é necessário que a Mídia, como formadora de opinião, trabalhasse na desmistificação de patologias mentais, mediante a divulgação de campanhas publicitárias, usando a história de artistas influentes que já passaram por alguma síndrome de ansiedade, com a finalidade de demonstrar que esse tipo de doença deve ser tratada e aceita da mesma maneira que outras doenças.