Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a calamitosa situação do sistema público de saúde impossibilita que a parcela da população dependente de ações públicas desfrute desse direito tão universal na prática. Nessa perspectiva, não há dúvidas de que o combate à ansiedade é um desafio no Brasil. Isso ocorre, infelizmente, devido não só ao descaso governamental, mas também à ignorância da sociedade.

Decerto, é imprescindível ter o descaso governamental como impulsionador do problema. Consoante ao sociólogo Dahrendorf no livro ‘‘A lei e a ordem’’, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De forma análoga a esse pensamento, nota-se que as leis que regulamentam o modelo assistencial em saúde mental encontram-se em um estado de anomia, pelo fato de serem ineficientes e, por vezes, coexistirem sem quaisquer formas de substituição ou aprimoramento. Assim, corroborando com o excessivo descaso e mau funcionamento do âmbito social.

Faz-se mister, ainda, salientar que a saúde mental da população é um fator importante no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial segundo o FMI, seria racional acreditar que o Brasil possui artifícios hábeis para o combate e tratamento da ansiedade. Não obstante, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido nos altos índices de pessoas ansiosas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a nação brasileira possui a maior quantidade de pessoas ansiosas do mundo, cerca de 18,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 232 vezes a capacidade do maior estádio de futebol brasileiro, o Maracanã. Diante do exposto, é inadmissível que dados como o citado ainda sejam uma realidade atual.

Depreende-se, portanto, que o elevado índice de indivíduos ansiosos se configura como um problema relativo à fragilidade no cumprimento dos Direitos Humanos. Logo, o Congresso Nacional, órgão responsável por exercer as funções do poder legislativo, deve elaborar uma diretriz de investimento voltada à difusão de postos psicossociais, bem como a difusão de palestras educativas referentes à ansiedade e o seu importante diagnóstico, por meio de uma filtração e ordenamento prioritário conforme a necessidade de cada região, tendo, como finalidade, a implantação da conscientização e instrução sobre essa doença. Destarte, o governo reverteria o estado de anomia presente na sociedade brasileira contemporânea.