Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Nascido no século XIII, em resposta à desestruturação do sistema político vigente, o Capitalismo tece seus primeiros prejuízos à sociedade, que o sustenta, já em seus primórdios através dos altos índices de exploração e do desprezo com a vida humana. Na contemporaneidade, esse alarmante panorama é intensificado pelo avanço das tecnologias e pela superficialidade da sociedade hodierna, os quais refletem altos índices de ansiedade nos brasileiros, urgindo medidas profiláticas com o fito de atenuação.
Mormente, é valido ressaltar como o avanço tecnológico tem impactos relevantes no supracitado cenário. Consoante o sociólogo contemporâneo Manuel Castells, “A internet é muito mais que uma tecnologia. É um meio de comunicação, de interação e de organização social”. Nessa perspectiva, indubitavelmente os impactos gerados pela cultura do consumismo e glamurização da vida perfeita nas redes sociais geram nos individuos um desejo constante e consequentemente uma ansiedade por não conseguí-los. Concomitante a isso, as pessoas afetadas psicologicamente os quais procuram acompanhamento médico encontram dificuldades por não ser um serviço democratizado e marjoritariamente de alto custo. Segundo o escrito francês, Jean Retz, “o que é necessário jamais é ridículo”, dessa forma, a inação estatal quanto à disponibilização de profissionais de baixo custo para atender a população em todas as classes propicia o defasado e escasso cenário contemporâneo.
Outrossim, é imperioso salientar como a sociedade moderna constrói vínculos gradativamente superficiais em sua essência. Conforme o sociólogo polonês Zygmund Bauman, “A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos", sendo assim essa instabilidade emocional gera no brasileiro um desconforto constante, haja vista tornar se necessário seguir determinados padrões sociais para pertencer a um grupo escolhido não sendo, dessa forma, o homem totalmente livre de esteriótipos. Além disso, os traços deixados por essa estrutura social imediatista, inconstante e efêmera acabam por serem banalizados pela sociedade e muitas vezes pelo próprio indivíduo lesionado, dessa forma, segundo a filósofa Hanna Arendt, todos acabam banalizando o mal que ocorre em uma sociedade não escolhendo fazê-lo. Dessa forma, o indivíduo afetado imerso em uma sociedade banal deve comumente lidar com esse entrave de forma solitária.
Depreende-se, portanto, a urgente necessidade da ação estatal para redução do quadro crescente de ansiedade no País. Cabe, nessa perspectiva, ao Ministério da Saúde promover campahas de apoio psicológico à população de forma gratuita e/ou a preços acessíveis nos postos de saúde, ofertadas por profissionais especializados em quadros de ansiedade, mediante os canais midiáticos, com o fito de dar estrutura psicológica básica aos cidadões brasileiros desde as classes mais baixas.