Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/11/2020

A vida está cada vez mais acelerada. A competitividade, seja em empregos, faculdades ou escolas, vêm pressionando e tornando a sociedade cada vez mais ansiosa. Mesmo em meio a essa epidemia de ansiedade que vem acontecendo, algumas pessoas ainda evitam procurar profissionais para obter um tratamento adequado. Isso deve-se ao tabu relacionado à doença e à falta de divulgação dos perigos desse distúrbio.

A princípio, cabe ressaltar, que o tabu está relacionado com o tratamento medicamentoso. Muitos pacientes que vão em busca de ajuda profissional demonstram certa relutância em tomar medicamentos para tratar o distúrbio, pois a intervenção medicamentosa envolve muitos mitos, como ficar viciado, impotente e incapaz de tomar suas próprias decisões. Segundo Daniel Martins de Barros, Psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, as duas frases que ele mais ouve na clínica são “eu não queria tomar remédio”, na primeira consulta, e “eu não queria parar de tomar os remédios”, na consulta seguinte, em seguida ele afirma “A gente tem muita resistência, porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar”.

Além disso, a falta de divulgação sobre os perigos da ansiedade, faz com que muitos cidadãos não tenham informações suficientes para se atentar em quão perigoso é ter essa doença. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. Os principais motivos para tanta ansiedade é a cobrança excessiva, preocupação constante, medo de decepcionar ou perder pessoas próximas, problemas financeiros e sofrer bullying. Uma pesquisa realizada pela MindMiners, mostrou que mulheres e jovens são a maioria dos afetados pela ansiedade, devido à frequente exigência da família e o estresse gerado pelos relacionamentos afetivos. Na sequência, pode-se evidenciar que a solidão também é uma das causas da doença. O estudo realizado na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, revelou que a solidão pode causar sérios riscos à saúde mental, originando o desenvolvimento de transtornos como ansiedade social, depressão e paranoia.

Logo, a maior visibilidade da ansiedade mostra-se extremamente necessária para combatê-la. Tendo em vista a gravidade da situação, a OMS em parceria com o Ministério da Saúde e os meios de telecomunicação, deve promover propagandas que visem ressaltar a importância de procurar um profissional para combater o distúrbio, e também destacar suas causas. Bem como, criar um programa de tratamento específico para o transtorno, visando alcançar aqueles que não têm condições financeiras para arcar com as despesas das terapias e medicamentos.