Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 11/11/2020

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado à uma sociedade doente”. O trecho escrito pelo filósofo indiano Jiddu Krishnamurti expõe o fato de que a sociedade contemporânea não é sadia. Nesse sentido, justamente pela centralidade que a saúde pública ocupa na existência, é que se compreende os desafios no combate à ansiedade no corpo social no Brasil. Sob tal perspectiva, retirar transtornos de ansiedade da normalidade e encará-los como problemas sociais é necessário, tendo em vista que a clandestinidade de doenças contribui para o tabu em relação aos distúrbios comportamentais. Para isso, torna-se fundamental avaliar os efeitos de um contexto nacional instável na vida dos cidadãos brasileiros.

É importante ressaltar, em primeiro plano, a forma com que os conceitos pré estabelecidos em relação aos distúrbios mentais frustam os avanços nos tratamentos dos transtornos de ansiedade. Isso ocorre, em grande parte, devido ao medo dos pacientes de se tornarem viciados nos medicamentos que podem ser prescritos durante o tratamento. Sob esse âmbito, entende-se que a falta de informação somada a credibilidade dada ao senso comum dificultam o trabalho dos profissionais de saúde e até mesmo no diagnóstico da doença.

Cabe mencionar, em segundo plano, o modo como um ambiente sadio é refreado pelo contexto nacional instável. Essa questão se dá no corpo social atual por consequências da fragilidade civil e econômica gerada pela pandemia da Covid-19. Tendo em vista que durante a realidade de distanciamento social os números de casos de distúrbios de ansiedade aumentaram, segundo a OMS. Tal fato se justifica no contexto de instabilidade econômica e social que todos os cidadãos brasileiros enfrentam durante a pandemia, aumentando o nível de estresse.

Infere-se, portanto, que a falta de informação é um grande empecilho do combate à ansiedade no Brasil. Desse modo, é imperativa a ação do Ministério da Saúde, como órgão nacional de maior autoridade sobre a saúde pública, que deve, por meio de campanhas de conscientização, garantir que não seja necessário se adaptar à uma sociedade doente, informando as pessoas e quebrando tabus, garantindo assim, o diagnóstico e tratamento adequado aos pacientes com transtornos de ansiedade. Resolvendo, dessa forma, a problemática de forma justa e democrática.