Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 12/11/2020
Nascido no século XIII, em resposta à desestruturação do sistema político vigente, o Capitalismo tece seus primeiros prejuízos à sociedade já em seus primórdios, com altos índices de exploração e desprezo à vida humana. Na contemporaneidade, esse alarmante panorama é intensificado pelo avanço das tecnologias e pela superficialidade da sociedade hodierna, os quais refletem no crescente quantitativo da ansiedade no Brasil, dessa forma, são necessárias medidas profiláticas com o fito de atenuação. Primeiramente, é válido ressaltar como o avanço tecnológico tem impactos relevantes no supracitado cenário. Consoante o sociólogo contemporâneo Manuel Castells, “A internet é muito mais que uma tecnologia. É um meio de comunicação, de interação e de organização social”. Nessa perspectiva, indubitavelmente os impactos gerados pela cultura do consumismo e glamourização da vida perfeita nas redes sociais geram nos indivíduos um desejo constante e consequentemente uma ansiedade por não conseguí-los. Concomitante a isso, as pessoas afetadas psicologicamente que procuram acompanhamento médico encontram dificuldades devido a esse serviço não ser democratizado e apresentar majoritariamente alto custo no País. Outrossim, é imperioso salientar como a sociedade moderna constrói vínculos gradativamente superficiais em sua essência. Conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, “A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos”, sendo assim a supracitada conjuntura gera instabilidade emocional no brasileiro e consequentemente um desconforto permanente. Por exemplo, para tornar-se parte de um determinado grupo é necessário seguir determinados padrões sociais que mudam constantemente, não sendo, dessa forma, ao homem critérios alcançáveis. Além disso, os traços deixados por essa estrutura social inconstante e efêmera acabam por serem banalizados pela sociedade e muitas vezes pelo próprio indivíduo lesionado, dessa forma, segundo a filósofa Hannah Arendt, todos acabam por naturalizar a banalização do mal ocorrido, mesmo que intencionalmente, em uma sociedade. Dessa forma, o indivíduo afetado imerso em uma sociedade imparcial deve comumente lidar com esse entrave de forma solitária. Depreende-se, portanto, a urgente necessidade da ação estatal para redução dos crescentes registros de ansiedade no País. Cabe, nessa perspectiva, ao Ministério da Saúde promover campanhas de apoio psicológico à população de forma gratuita e/ou a preços acessíveis nos postos de saúde, ofertadas por profissionais especializados em quadros de ansiedade, mediante os canais midiáticos, com o fito de dar estrutura psicológica básica aos cidadãos brasileiros desde as classes mais baixas. Por conseguinte, o Brasil chegará numa sociedade emancipada e livre dos entraves provocados desde a instauração do Capitalismo.