Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/11/2020

“O grito” é a pintura mais famosa de Edvard Munch, seu sucesso advém da perfeita composição artística retratada pelo sentimento de angústia e de solidão que as pessoas estão sujeitas. Hodiernamente, esse símbolo do desespero humano traz à tona as doenças mentais bastante presentes na sociedade brasileira, como a ansiedade. Desse modo, melhorar a capacidade estatal, bem como discutir esse tema como questão social são fatores essenciais para alterar essa lastimável conjuntura.

A priori, sob a égide constitucional, desde 2001, esteve presente a garantia de uma reforma psiquiátrica no país. Entretanto, tal reforma não ocorreu na prática, sem o investimento público várias pessoas necessitadas de tratamento estão desamparadas. Nesse viés, percebe-se a omissão do Estado perante as doenças mentais sempre estigmatizadas na sociedade, de modo que não oferece o devido suporte para tratar os casos de ansiedade na população. Em coadunação com isso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que o Brasil apresenta o maior número de pessoas ansiosas do mundo, fato esse que corrobora para a urgente criação de ambientes específicos para o tratamento de patologias, como a ansiedade.

Ademais, sob a óptica do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a ansiedade é consequência do adoecimento da “sociedade do desempenho” a qual sofre sob o excesso de positividade, ou seja, a autoexploração do sujeito para alcançar êxito em todas as áreas pessoais o sobrecarrega de tal forma que ele apresenta maiores chances de desenvolver distúrbios de saúde mental. Sendo assim, o crescimento de atos suicidas fundamenta a importância dessa discussão no Brasil como questão social. Concomitante a isso, é notório que a ansiedade, assim como toda doença mental, é muito discriminada, principalmente pelos familiares da vítima, os quais têm vergonha e não tratam essa doença com seriedade, com isso, o doente fica abandonado em detrimento do preconceito social.

Logo, o Estado brasileiro deve atuar para colocar a legislação em prática e desenvolver estruturas de atendimentos, investir em centro de acompanhamento multidisciplinar e capacitação profissional, a fim de atender os pacientes com transtornos mentais, como a ansiedade. Além disso, é fundamental que o Terceiro Setor – composto por entidades que prestam serviço de caráter público – informar e sensibilizar, por intermédio de palestras e de grupos de discussão sobre os sintomas e tratamentos da ansiedade, a fim de melhorar a vida das pessoas acometidas por essa doença.