Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 21/11/2020

Para o sociólogo Georg Simmel, a vida na sociedade contemporânea demanda uma grande quantidade de estímulos e percepções acerca de diferentes realidades, que muitas vezes acaba por gerar uma intensificação da vida nervosa e, consequentemente, o surgimento de doenças graves como a ansiedade. Contudo, o despertar dessa patologia não se deve apenas ao modo de vida intenso da atualidade, mas também à intenção de empresas farmacêuticas em lucrar na venda de medicamentos que prometem eliminar os sintomas sem maiores esforços. Nesse contexto, convém analisar os principais motivadores da problemática, a fim de combater esse grande desafio.

Em primeira análise, cabe pontuar que a busca pela perfeição, em um mundo onde os males sociais são cada vez mais aflorados, gera no indivíduo a sensação de fracasso e impotência. Uma prova disso está no aumento, em 2018, de 30% do número de pessoas diagnosticadas com ansiedade que, de acordo com o portal de notícias ´´g1.com``, cresce de forma exponencial ao longo dos anos. Desse modo, é notável que, caso não haja investimentos e reconhecimento significativo da nocividade dessa doença, a tendência é surgirem pessoas mais estressadas, ansiosas, e possíveis vítimas de depressão.

Ademais, é importante frisar que se por um lado a ansiedade representa algo ruim e que deve ser superado, por outro, nota-se que farmácias e drogarias buscam, através da doença, um modo de valorizar as vendas e elevar os lucros. Na obra ´´Vida de droga``, o autor e roteirista Walcyr Carrasco aborda de modo verossímil a realidade de pessoas que, assim como a protagonista Dora, buscam o alívio no uso excessivo de medicamentos que, ao invés de confortar, gera dependências e até mesmo o desencadeamento de novas doenças. Assim, é indispensável que o papel ético e responsável das empresas de manipulação dos medicamentos não seja negligenciado, já que a dinâmica social se cumpre com a ajuda e colaboração de todos.

Portanto, com a finalidade de promover o combate à ansiedade na sociedade atual, o Ministério da Saúde, juntamente com os representantes locais, deve promover atividades de lazer e relaxamento,  por meio da prática de exercícios físicos e atividades que fujam da rotina monótona, e possibilite ao indivíduo experiências novas, além da fiscalização da distribuição dos remédios que serão receitados para as pessoas já diagnosticadas, com o controle e aprimoramento do suporte dado às vítimas dessa doença. Espera-se, com isso, evitar o desencadeamento de novos transtornos e atenuar os casos de ansiedade já existentes que, na visão de Simmel, tende a representar riscos à saúde humana. .