Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/11/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Simbolicamente, através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, nota-se que durante o percurso da caminhada social há obstáculos. Nesse viés, os desafios no combate à ansiedade na sociedade vem ganhando notoriedade e é negligenciado, o que se mostra um grave problema social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de retirar os tabus, viabilizar a circulação de informação sobre a temática e minimizar a negligência social.
Sob primeiro plano, as formas de vida contemporâneas é moldada por imediatismos influenciados e pela soma de diversos fatores, internos e externos e ,entre eles, o que mais se destaca são as mídias sociais. A facilidade de estar “online” traz mudanças de perspectivas de forma vertiginosa. A esse respeito, o sociólogo Guy Debord em sua obra “Sociedade do Espetáculo” enfatiza que uma parcela dos internautas visam a alta exposição em “vitrines virtuais” com a intenção de performar para outrem, exigindo perfeição de si mesmos. Além disso, a “corrida” por “likes e views” segrega quem está fora de tal realidade. Dessa forma, esse comportamento baseado em uma suposta liberdade de exposição, pode provocar e desenvolver gatilhos mentais, potencializando a ansiedade em curto prazo.
De outra parte, a saúde mental é negligenciada no meio social o que fragiliza quem vive com o problema .A saúde mental além de ser tabu, também tem o contraste da prática de “diagnósticos populares”. Essa instabilidade comportamental social e de senso comum, favorece o nascimento de angústias. As incertezas diante do futuro podem justificar a intensa procura por entretenimento como forma de afastar a sensação. Tristemente, tais realidades potencializam a fala da OMS - Organização Mundial da Saúde - que a ansiedade e depressão serão as doenças mais incapacitantes do século XXI. Nesse sentido, enquanto o Brasil continuar contribuindo direta ou indiretamente para o acréscimo da ansiedade, a sociedade será obrigada a conviver com a incapacidade do século.
É urgente, portanto que esse ciclo seja interrompido. O Estado precisa ser estratégico e remanejar recursos para as outras autarquias. A começar com o Ministério da Saúde criar campanhas como “Saúde Mental Consciente”, com a finalidade de tornar a temática mais didática e ser possível levar a informação e possibilitando o tratamento de forma precoce . A cargo das escolas, a criação de oficinas e “workshops” com profissionais da saúde: psicólogos e psiquiatras para que o conhecimento e participação de alunos seja protelado. E por último, os núcleos familiares devem ser orientados pelos profissionais da saúde, visando o tratamento e recuperação desses pacientes. Para assim melhorar o tecido social e retirar as pedras do caminho assim como na poesia de Drummond.