Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/11/2020
Desde os primórdios da humanidade, a saúde mental sempre fora hostilizada pela sociedade. Ainda na Grécia Antiga, pessoas portadoras de algum transtorno psíquico eram condenadas à morte sob o pressuposto de que não estariam aptas para sobreviverem naquela civilização. Hodiernamente, no Brasil, a precariedade de políticas de saúde mental tem constituído um grande desafio no que tange o desenvolvimento social do país, o que contribui com a segregação desse contingente populacional. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da negligencia governamental bem como da falsa exposição em redes sociais.
Sob a perspectiva de Norberto Bobbio, em sua obra “O futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência de uma “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” – a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, pode-se considerar que, embora a Carta Magna brasileira assegure a assistência pública a pessoas portadoras de transtornos mentais como a ansiedade, por exemplo, a distópica realidade dessas pessoas é marcada pela imposição de inúmeras barreiras. Diversos segmentos como escolas e hospitais não possuem o mínimo de preparo para lidar com esse contingente segregado socialmente.
Ademais, nota-se as redes sociais como sendo uma das maiores propulsoras no que diz respeito ao desgaste mental dos brasileiros atualmente. Por certo, o sociólogo Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, trabalha a ideia de que pessoas vivem em constante performance ao longo da vida e exigem perfeição por isso. Com efeito, diante da necessidade que alguns usuários sentem em aparentar excelência e plenitude em aplicativos como o Instagram, por exemplo, aqueles que não conseguem se moldar a isso e entender que nem sempre é real, podem apresentar sintomas como ansiedade e baixa autoestima ao longo de suas vida, segundo um estudo divulgado pelo Doutor Dráuzio Varella.
Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que solucionem os desafios no combate à ansiedade no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde garantir que toda a população tenha acesso às políticas públicas de saúde estabelecidas pela Constituição Federal e que não se viabilizam na prática. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados. Nele deve constar a obrigatoriedade de todos os municípios instalarem UBS que contem com uma junta médica composta por psicólogos e psiquiatras, que devem estar disponíveis semanalmente para o agendamento de consultas e avaliações, gratuitamente, a fim de garantir que todos tenham acesso. Espera-se com isso erradicar esta chaga social.