Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 03/12/2020
No ano de 1903, houve a fundação do manicômio de Barbacena. Este ficou conhecido por atrocidades e torturas contra pacientes psiquiátricos, que eram abandonados por suas famílias por considerá-los “loucos”. Desse modo, a forma como indivíduos com transtornos mentais eram vistos, reflete, hoje, em uma sociedade que interpreta os tratamentos para com a saúde mental como tabus. Por conta disso, um dos principais desafios da sociedade contemporânea é o combate à ansiedade.
Em primeiro lugar, sabe-se que há uma epidemia de transtorno de ansiedade no território brasileiro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com quase 19 milhões de pessoas acometidas pelo distúrbio. Desta forma, não há como negar que esta condição generalizada no país está atrelada não só a problemáticas pessoais dos indivíduos, como também a ambiência de constante insegurança, gerada pela má gestão governamental da federação. Por conta disso, fica evidente a convivência dos cidadãos com a violência, pobreza, desemprego, entre outros obstáculos, como fatores que dificultam o desfruto de uma vida saudável em meio a sociedade.
Outrossim, vale salientar que a existência da aversão para com as abordagens terapêuticas contribui para o aumento da ansiedade em estágios mais avançados pelo atraso na realização do tratamento. Isto se deve ao negacionismo de grande parte dos indivíduos, criado por mitos populares que remetem ao cuidado da mente como “coisa de doido”. Além disso, é indubitável a importância da percepção de que o transtorno de ansiedade é uma doença, assim como muitas outras. Assim sendo, não existe apenas tratamento, mas também a prevenção, que pode, e deve, ser praticada individualmente a fim de evitar o desenvolvimento de tal condição.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves a serem elucidados. Por isso, faz-se necessário que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, idealize e projete uma forma de desmistificação dos tratamentos psicológicos pela população, por meio da realização de palestras apresentadas por profissionais da área psiquiátrica , nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias de Saúde da Família (ESF). Assim como, deve formular uma projeto de longo prazo que abranja os âmbitos socioeconômicos, a fim de mitigar, ao longo dos anos, a insegurança da população, e combater a ansiedade na sociedade atual.