Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 08/12/2020

Radun Nassar, um escritor brasileiro que, embora não tenha publicado muitas obras, contribuiu muito com a literatura contemporânea, em um de seus contos mais famosos, ‘‘Aí Pelas Três da Tarde’’, dá instruções de como fugir da pressão exercida pelo trabalho e pelo cotidiano. Apesar de ser uma obra de ficção, as diversas exigências feitas pela vida moderna sobre os indivíduos têm proporcionado uma sociedade cada vez mais ansiosa e que necessita das instruções propostas por Nassar. Dessa forma, é importante destacar que existem muitos desafios no combate à ansiedade no Brasil, uma vez que não só há uma cultura de negação em relação às doenças psicológicas, como também há uma grande quantidade de pessoas que se ‘‘perderam no ambiente virtual’’.

Primeiramente, é válido ressaltar que a buscar por tratamento de doenças psicológicas, como ansiedade e depressão, é considerada como uma ‘‘frescura’’ por muitos brasileiros. Nesse contexto, é coerente dizer que o Brasil vive uma nova Revolta da Vacina -Processo histórico da Primeira República em que, por conta carência de informação, a população se revoltou contra o Estado, que estava tentando conter as doenças por meio da vacinação-, já que, também em virtude da falta de informação, a negligência na busca de profissionais que tratam a ansiedade é algo muito comum. Em consequência disso, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 9,3% da população brasileira apresenta ansiedade. Sendo assim, fica claro que a desinformação tem impedido o tratamento da ansiedade.

Paralelamente, pode-se dizer que o uso excessivo das redes sociais também tem contribuído com a ansiedade. Nesse contexto, de acordo com Bauman, um dos maiores filósofos contemporâneos, o mundo vive em uma modernidade líquida, isto é, as sensações, bem como as ideias mudam constantemente e nada é muito bem definido. Nesse âmbito, a internet colabora com essa liquidez, dado que, por conta do excesso de conteúdo, as pessoas apresentam dificuldade para definir seus pensamentos, além disso a perfeição social, financeira e até mesmo estética pregada nesse local traz uma realidade ilusória que nunca será alcançada pela maioria das pessoas. Com isso, é evidente que a rede social, se não for utilizada com moderação, pode se tornar um gatilho para a  ansiedade.

Em virtude dos fatos mencionados, é plausível afirmar que a desinformação e o uso excessivo da internet são desafios para combater a ansiedade. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação, por meio da abertura de concursos para a contratação de vinte a cinquenta psicólogos que viajarão pelo estado, exija que todas as escola públicas forneçam uma aula anual sobre a importância de procurar auxílio profissional para cuidar da ansiedade e controlar o uso das redes sociais. Assim, as dicas de Nassar não precisarão ser seguidas.