Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/12/2020
O filme “Por lugares incríveis” constrói, além de um romance entre jovens, um enredo centrado nas consequências comportamentais e psicológicas – como pensamentos suicidas, irritabilidade e aversão à realidade - que o personagem principal, Finch, sofria devido a distúrbios mentais como ansiedade e depressão. No contexto brasileiro atual, uma expressiva parcela da população sofre com os sintomas da ansiedade assim como o personagem da obra cinematográfica, tornado o Brasil o país com o maior índice dessa doença no mundo. Tal cenário transfigura-se como um problema difícil a ser combatido devido ao caráter capitalista da organização social e à ignorância arcaica sobre distúrbios psicológicos. A princípio, é imperioso compreender que, a partir do século XX, o desenvolvimento tecnológico contribuiu para a criação de mecanismos coercitivos que moldam o comportamento dos indivíduos. Para tanto, deve-se considerar os pensamentos de Guy Debord, o qual afirma que a cultura capitalista, oriunda do pós-Segunda Guerra Mundial, colaborou para a formação de uma sociedade do “espetáculo”, que caracteriza-se pela objetificação do sujeito e pelo culto à mercadoria. Tal sociedade acarretou no aumento de pessoas que sofrem com a ansiedade pois, o cidadão, por nem sempre se sentir incluído na dinâmica social contemporânea e tendo em vista o caráter carente do indivíduo pós-moderno por reconhecimento e aceitação social, se torna propenso a desenvolver doenças psicológicas.
Ademais, vale salientar como perspectivas individualistas e preconceituosas são transmitidas através da instituição familiar e impacta na saúde mental dos brasileiros. Para tanto, deve-se considerar o pensamento do sociólogo Durkheim, o qual caracteriza a família como um fato social responsável por moldar o comportamento do indivíduo por meio do processo de socialização e de associação de valores. Nesse sentido, pensamentos - frutos da herança histórica em que a tortura era utilizada nos manicômios como tratamento - que caracterizam as doenças psicológicas como ameaça à ordem social são transferidos para os indivíduos dentro do núcleo familiar. À vista disso, os sintomas de doenças psíquicos são banalizados pela sociedade, o que pode acentuar o quadro psicológico de sujeitos doentes e levá-los ao suicídio.
Depreende-se, pois, a de elaborar medias para reverter o cenário atual. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, ampliar as campanhas do Setembro Amarelo – projeto de conscientização sobre as doenças psicológicas -, por meio de propagandas educativas e ações de merchandising, reproduzidas durante horário nobre, que forneçam informações sobre diagnóstico e prevenção dos vários tipos de ansiedade, com o intuito de potencializar o conhecimento da população sobre tal distúrbio.