Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/12/2020
O artigo 6º da Constituição Cidadã, fruto de um importante processo de redemocratização pós-ditadura, dispõe sobre o fato de que é direito social de todos os indivíduos educação, moradia, alimentação, trabalho e, sobretudo, saúde de qualidade. No entanto, diante da conjuntura instaurada pelos índices de brasileiros que apresentam ansiedade, vê-se que tal princípio não é exercido em sua totalidade, uma vez que a saúde mental desses indivíduos é afetada. Assim, diante da gravidade do problema, é necessário compreender os fatores sociais responsáveis por essa realidade a fim de que ela seja afastada do cenário brasileiro atual.
Convém destacar, a princípio, a exaustão diária como fator determinante para a classificação brasileira de país mais ansioso do mundo. Nesse sentido, é necessário destacar as reflexões do filósofo coreano Byung Chul-Han ao discutir a sociedade do desempenho, em que um cotidiano cansativo é imposto pelo sistema capitalista através da implementação da positividade, levando as pessoas a crer que são capazes de tudo e se autocobrar uma alta produtividade. Assim, esse ciclo de auto-exigência é grave, já que o excesso de trabalho e cobrança inalcançáveis agregam frustrações ao indivíduo, o que afeta negativamente o psicológico do mesmo, levando a um quadro preocupante de ansiedade.
Vale ressaltar, também, o papel do isolamento social configurando-se fundamental na disseminação de ações empáticas e solidárias para recrudescimento da problemática em questão. O website “Uol” divulgou, recentemente, diversos atos positivos realizados para ajudar pessoas que estão em situação vulnerável ao COVID-19. Em entrevista à página, Cris Fernández, professora de psicologia social da PUC-SP, afirma que as pessoas que praticaram essas ações foram motivadas pela dor do outro -“Seres humanos são seres coletivos que se identificam com a mesma condição diante de crises agudas que ameacem nossa existência”.Porém, a ausência de contato físico e práticas com grandes grupos de pessoas agregam ao indivíduo o sentimento de solidão e abandono, que a longo prazo, não raramente, ocasionam transtornos de ansiedade.
Fica evidente, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é imperiosa a ação do Ministério da Saúde. A ele compete, portanto, fomentar políticas públicas que apresentem as formas de adquirir ansiedade com a realização de exames preventivos por psicólogos, por meio de propagandas publicitárias e promoção da campanha. Essa medida deve, para garantir sua efetividade, tratar de aspectos nos meios de trabalho afim de evitar sobrecarga nos cidadãos. Dessa forma, será construído um caminho de superação para esse grave entrave social.