Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/12/2020
A série “13 reasons why”, da Netflix, aborda, dentre outras questões, o relato da Hannah, uma adolescente suicida, que expõe as razões pelas quais tirou sua vida e, entre elas, situações que passou e que contribuiram para que desenvolvesse distúrbios, como ansiedade. Apesar de se tratar de ficção, essa obra exprime os malefícios dessa doença e como ela é presente na sociedade contemporânea, contudo, fatores econômicos e sociais dificultam seu combate, situação que demanda solução urgente.
Convém destacar, de início, como o capitalismo fortalece o quadro ansioso dos indivíduos. Nesse sentido, fazem-se relevantes o debate sobre a “sociedade do cansaço”, preconizado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, era em que, segundo ele, o sistema capitalista mede as pessoas por meio da capacidade de gerar lucro, responsabilizando-as, ainda, pelo próprio sucesso. Assim, muitos indivíduos, imersos nessa lógica, creem que precisam trabalhar e estudar cada vez mais para alcançar o objetivo proposto. Como consequência crítica desse cenário essas pessoas passam todo seu tempo fazendo e pensando sobre seus afazeres, tornando-se mais preocupados e estressados, o que pode acarretar em crises de pânico e ansiedade.
Vale ressaltar, ainda, o papel do uso excessivo das redes sociais no recrudescimento dessa problemática. A esse respeito, desde a Revolução Técnico-Científica, iniciada em meados do século XX, houve um crescimento e desenvolvimento das tecnologias em todo o mundo, o que possibilitou maior circulação de informações e contato entre pessoas de diferentes localidades. Diante desses avanços, percebe-se que as redes sociais, como o Instagram, são cada vez mais acessadas tanto por jovens quanto adultos. Essa situação é preocupante, já que esses sites apresentam uma forte exposição e imposição de estilos de vida e beleza “inalcançáveis”, o que leva muitas pessoas a se compararem e sofrerem por não serem como as outras pessoas, gerando, assim, forte tendência a terem ansiedade.
Fica evidente, pois, a urgência em coibir essa alarmante realidade. Para isso é imperiosa a ação da sociedade civil, juntamente com as grandes e pequenas empresas. Ao primeiro agente, cabe realizar posts na internet incentivando que os famosos e usuários das redes sociais postem, cada vez mais, situações reais que vivem e não apenas as partes boas da vida, a fim de diminuir e não iludir as pessoas para que, assim, não se comparem e se cobrem tanto. Ademais, o segundo agente deve incluir no seus ambientes de trabalho atendimento com profissionais da saúde, como psicólogos, para que tenham acompanhamento e não desenvolvam ansiedade.