Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 10/12/2020

Os vários tipos de transtornos mentais, por muito tempo ignorados, reprimidos, ou mal interpretados, só começaram a ser estudados e tratados corretamente e com seriedade nos últimos séculos. Uma herança desse tempo em que tais enfermidades eram desconsideradas é a resistência que muitos têm em reconhecê-las e aceitar tratá-las. Isso leva a uma realidade em que, mesmo com o avanço técnico nessa área, e todas as alternativas de tratamento disponíveis atualmente, o avanço no combate a transtornos como a ansiedade ainda caminha lentamente.

Embora considerável parcela da população relute em aceitar o diagnóstico e o tratamento para ansiedade, para si ou para aqueles sob sua guarda, há também uma parcela que incentiva o tratamento e busca trazer visibilidade para esse problema. Um exemplo desse esforço é o jogo “Celeste”, que usa múltiplas metáforas e analogias dinâmicas para ajudar jogadores a entender e superar o transtorno, comparando a luta contra a ansiedade com escalar uma montanha. E, numa escala maior, o movimento Setembro Amarelo, que inicialmente propõe a discussão e conscientização quanto ao suicídio, também proporciona o mesmo para transtornos mentais frequentemente ligados a isso, em especial a depressão e a ansiedade.

Sendo assim, é evidente que ainda que haja uma ampla lista de recursos existentes para o combate à ansiedade, a resistência dos indivíduos ao tratamento, e a disponibilidade do tal para os indivíduos menos favorecidos permanecem como principais desafios. Logo, é preciso mudar a mentalidade da população e conscientizá-la quanta a importância da manutenção da saúde mental, ao mesmo tempo em que se assegura esse cuidado como direito para ela. Isso inclui uma maior divulgação de mídias, como filmes, livros, e jogos, que tratem sobre o assunto, e um maior engajamento em movimentos como o Setembro Amarelo por parte de instituições estatais e privadas. Em conjunto com o aumento da visibilidade e das discussões sobre o assunto, o Estado, através do Ministério da Saúde, deveria revisar a acessibilidade de tratamento para tais transtornos como a ansiedade, a fim de garantir que estes estejam sob o alcance da população, na medida do possível. Com o incentivo e ferramentas necessários disponíveis, a população como um todo estará mais suscetível a lidar melhor com a ansiedade.