Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/12/2020

“Larga de frescura, só está triste, é falta do que fazer, não tenho tempo para a ansiedade não, isso é coisa de gente atoa”, essas são algumas das diversas frases proferidas por brasileiros quando o assunto é ansiedade, mostrando uma posição de negação à doença, o que dificulta tanto o diagnostico quanto a busca pelo tratamento, tornando-se um desafio atual. Nesse contexto, tal realidade acontece devido, sobretudo, a fatores sociais. Por isso, urge medidas para reverter esse cenário.

Um primeiro aspecto a ser observado é como a rotina atual dificulta o tratamento da ansiedade. Consoante Byung- Chul Han, filósofo sul-coreano, a “sociedade do cansaço” é caracterizada pela imposição de uma alta produtividade às pessoas, de maneira tão extrema que não se tem abertura a problemas, como doenças. Desta forma, por estar inserido nesse ritmo frenético, uma pessoa não procura ajuda nas fases iniciais, pois imagina que aquilo só irá atrapalhar seu rendimento, pois lhe ocuparia tempo, o que dificulta o tratamento. Isso é alarmante, já que, com tal acometimento e sem os devidos cuidados, pode levar a um agravamento, influenciado, até mesmo, em suas relações interpessoais e de trabalho.

Outro aspecto que corrobora a problemática em questão é a onda de pensamento positivista atual. Nesse contexto, é possível perceber, na sociedade contemporânea, um certo “imperativo da felicidade”, no qual não há espaço para qualquer sentimento como de tristeza ou ansiedade, difundindo a ideia de que, se você não demonstra, não atrai. Com efeito, a existência dessa forma de pensar é evidenciada na forte presença dos “coachings motivacionais”, os quais tentam estimular a pessoa por meio do pensamento positivo, assim, deixa-se subentendido que esses sentimentos “ruins” só irão atrasá-la. Dessa maneira, com o sentimento de infelicidade visto como empecilho, tenta-se evitá-lo, porém, por ser um aspecto natural do ser humano, não se consegue, gerando uma frustração ainda maior, o que dificulta um possível tratamento devido à falta de aceitação.

Fica evidente, portanto, a necessidade de solucionar esses entraves sociais. Por isso, a Governo e a Escola devem agir. Ao primeiro cabe, por meio de propagandas e ações de merchandising, promover e normalizar consultas com psicólogos, a fim de que a população adote tal prática, mostrando que a ansiedade é uma coisa que atinge a todos. Além disso, compete à segunda, junto a profissionais da área psíquica, debater com os alunos a importância de falar sobre seus sentimentos, mostrando que sentimento de ansiedade é natural, e que, em casos extremos, é necessário o tratamento. Assim, será possível amenizar os casos mais graves da doença, diminuindo, também, as fatalidades geradas por ela.