Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/12/2020

A gravidade do alto índice de brasileiros que apresentam ansiedade, cerca de 80% da população, de acordo com pesquisa realizada pela UFRGS em 2020, tem despertado a atenção da sociedade e do poder público para a notoriedade do assunto. Porém, ainda que reconhecida a importância de superar essa situação a fim de que o país avance, esse problema persiste em decorrência, sobretudo, de fatores sociais.

Convém destacar, de início, como a fragilidade dos laços pessoais atua de forma determinante para o desenvolvimento de danos psicológicos. Nesse sentido, fazem-se relevante as discussões do sociólogo polonês Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida. Segundo ele, vive-se em um tempo caracterizado pela perda de senso coletivo e e responsabilidade social, culminando em uma sociedade egoísta e pouco empática. Dessa forma, inúmeros sujeitos, imersos nesse contexto de solidão e críticas, manifestam ansiedade, já que são alvos constantes de julgamentos e não têm com quem desabafar. Assim, é frequente a dificuldade em tratar a doença, por esta ser elitizada e, diversas vezes, banalizada.

Vale ressaltar, ademais, o papel do sistema capitalista no recrudescimento da problemática em questão. Nessa lógica, é pertinente aludir ao pensamento do filósofo sul coreano Byung-Chul Han, no qual é analisada a evolução dos métodos de opressão desse regime econômico. Consoante ao pensador, a sociedade atual é a do desempenho, em que as mensagens de ações produtivas são predominantes, com o objetivo de beneficiar o mercado e promover uma maior auto exploração dos trabalhadores. Desse modo, muitas pessoas, manipuladas pela retórica de hiper valorização do mérito,  ficam mentalmente exaustas e tornam-se ansiosas. Tal cena é preocupante, pois pode ser o gatilho para o desencadeamento de outros transtornos, como a depressão.

Portanto, são necessárias medidas capazes de afastar essa realidade do âmbito nacional. Para tanto, cabe ao Estado -na figura de Ministério da Saúde - garantir auxílio às pessoas que possuem essa doença, por meio de consultas gratuitas com psicólogos e psiquiatras em postos de saúde e criação de grupos de ajuda, com o fito dar assistência e melhorar a saúde mental destes. Além disso, compete à mídia, por seu caráter influenciador, divulgar programas que alertem sobre as causas, sintomas e tratamento da ansiedade, a fim de evitar mais casos da enfermidade e incentivar aqueles que já a possuem buscarem amparo especializado. Feito isso, será possível construir um caminho de superação para esse grave entrave social.