Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/12/2020
Despertador, trabalho, casa, despertador, trabalho, casa. Esse sistema representa o modo de vida contemporâneo, em que as pessoas se tornam escravas do tempo e do dinheiro. Como consequência desse modelo capitalista, a ansiedade está crescendo no Brasil seja por rotinas estressantes, seja pela medicalização da vida.
Em primeira análise, é possível afirmar que o dia a dia do povo brasileiro é exaustivo. Sob tal ótica, o que foi dito no livro “Sociedade do cansaço”, do filósofo Byung-Chul Han, se aplica no modelo trabalhista instaurado. De acordo com Han, a vida gira apenas em torno do trabalho, sem tempo para descanso ou lazer. Esse ideal competitivo, que visa apenas ao lucro, está exaurindo a população a tal patamar que faz com que prefiram tirar a vida a permanecer nessa rotina imutável. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Em segunda análise, é válido ressaltar que a medicalização da vida é um problema grave na sociedade brasileira. Nesse contexto, a famosa animação “Happiness” retrata um modelo de vida estressante em que a única forma de relaxar é se entupir de remédios. Dessa forma, em busca de resultados rápidos, os brasileiros utilizam medicamentos para combater insônia, tristeza, e tudo que se imaginar. Destarte, a busca pela felicidade não deve ser concebida por tais métodos.
Por conseguinte, devido à inflexibilização da rotina e ao uso excessivo de medicamentos, o combate ao transtorno de ansiedade se tornou um desafio no país. Sendo assim, para solucionar a questão trabalhista seria necessário que as empresas implantassem o modelo do Ócio Criativo, criado pelo sociólogo Domenico de Masi, mediante redução da carga horária e criação de atividades recreativas no trabalho, obtendo assim um aumento no desempenho individual. Além disso, as empresas, juntamente com os hospitais, deveriam realizar uma parceria, por meio de PPPs (Parceria Público e Privado), disponibilizando atendimento psicológico para os funcionários, reduzindo, assim, o uso desnecessário de remédios. Implantadas tais medidas, será possível auferir uma melhora na saúde mental dos brasileiros.