Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/12/2020
A partir da Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações não só econômicas como sociais. Embora a sociedade hodierna apresente contornos específicos, ainda é notório o legado presente na doença dos millennials,ou seja, a ansiedade. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de promover melhorias acerca dessa temática.
Convém destacar, de início, como a sociedade do cansaço, fruto do sistema capitalista, atua de forma determinante para a ascendência de problemas psíquicos. Seguindo essa lógica, o filósofo coreano Bhung-Chul Han promove a reflexão de que vivemos em um ambiente com excesso de positividade e de supervalorização do indivíduo, em que o único obstáculo para o sucesso pessoal é o próprio sujeito, predominando a ideia de que todas as metas são alcançáveis. Dessa forma,o sujeito do desempenho encontra-se em uma constante guerra consigo mesmo, pois ele se culpabiliza pelo seu desenlace. Um exemplo é o home-office durante o período de quarentena, em que a pessoa se entrega pelo excesso de trabalho e rendimento, munida de um sentimento de liberdade, porém é escrava do trabalho. Nessa perspectiva, torna-se nítido o aumento de transtornos mentais como a ansiedade e a difusão do sentimento de angústia, tristeza e inutilidade em grande parcela da população.
Vale ressaltar, ainda, que o fato de o ser humano ser um ser social contribui para o recrudescimento da problemática em questão. Sob esse viés,o filósofo alemão Martin Heiddeger afirma que um dos modos característicos do homem é o modo de ser com os outros,ou seja,o modo da convivência.Sendo assim,na composição da sociedade não há espaço para a individualidade,pois o homem,por ser um ser pensante e frágil,não sabe viver isolado e precisa da interação com o outro.Essa questão pode ser notada no filme “Mary e Max”,que conta a história de uma criança que sofria bullying e de um homem que tinha Síndrome de Asperger,ambos muito melancólicos e solitários.Devido à forte amizade que passam a ter,ambos enfrentam suas mazelas pessoais com maior leveza.Fato é que,com a privação da convivência e as incertezas sobre o Covid-19, é notório que a sanidade mental fica estremecida, resultando em outra pandemia,esta potencialmente mais douradoura e tão preocupante quanto: a melancolia.
Portanto,para resolver tal problemática, cabe às Escolas, promoverem um espaço destinado a roda de conversa e debate sobre as complicações fomentadas pela ansiedade e como lidar com esse problema,contando com a presença dos professores e psicólogos especialistas no assunto, a fim de que mais pessoas compreendam questões referente à doença dos millennals. Ademais, eventos como esse deverá ser abertos a toda família e comunidade, para ampliar o conhecimento sobre tal situação.