Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/12/2020

O poema modernista “No meio do caminho”, escrito por Carlos Drummond, retrata um impasse contínuo que impede o pleno desenvolvimento do eu-lírico. Analogamente, longe da literatura, frequentes quadros de ansiedade deterioram o bem-estar populacional. Nesse sentido, seja pela baixa discussão social sobre disturbios subjetivos ou pela incipiente oferta de profissionais psíquicos gratuitos, os cidadãos veêm-se constantemente reféns de sua psiquè e, por isso, carecem de cuidados.

Previamente, é relevante salientar o preconceito civil com os transtornos psiquiátricos. À medida que observações sobre alterações comportamentais começaram a ser realizadas, durante o século XVI, a postura exclusora dos desviantes preconizou o tabu psiquico resistente até os dias atuais. Sob essa ótica, a obra renascentista “A Naus dos loucos” elucida bem a segregação e maus-tratos recebidos pelos adoecidos, ao passo que ilustra os psicóticos sendo afastados da cidade em um barco. Assim, o receio de julgamento e vexamização - sintomas já comuns da ansiedade - impeddem a busca por ajuda pelos sofredores, tendo como resultado o agravamento dos quadros. Desse modo, aumentar a visibilidade do distúrbio ansioso é crucial para que os civis busquem suporte.

Ademais, a pobre disponibilidade de psicólogos e psiquiatras nas redes públicas de atendimento degradam as pespectivas de melhora pela maioria da população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, mais de 50% dos brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo, por exemplo. Da mesma forma, vários países - Dentro e fora da América Latina - possuem sua população economicamente ativa de baixa renda, sendo inviável custear atendimentos particulares. Dessa forma, conforme a acessibilidade à terapia se dá de forma restrita, a persistência dos sintomas é alarmada entre os indivíduos.  De acordo com o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo,fortificar o respaldo governamental à saúde mental é crucial.

Portanto, ações são indispensáveis para diminuir o número de ansiosos na contemporaneidade. Nesse viés, a criação de propagandas cibernéticas que incentivem o debate e o apoio coletivo aos portadores de ansiedade, por meio de parcerias entre a Organização Mundial da Saúde e as principais redes sociais - Como o Twitter e o Facebook - é essencial a fim de que os transtornos psiquicos sejam normalizados. Outrossim, a Organização das Nações Unidas, mediante acordos com os Estados Nacionais, deve disponibilizar parte do Fundo Monetário Internacional para subsidiar países que disponibilizem uma cota mínima de terapias e análises na rede pública de atendimento, no intuito de democratizar o bem-estar psiquico. Para isso, os hospitais e centros clínicos já construídos poderiam ser utilizados. Apenas assim a “Pedra no meio do caminho” da saúde mental será contornada.