Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 17/12/2020
No documentário americano “Take Your Pills” é abordado a epidemia do consumo de medicamentos para transtornos de ansiedade no século XXI, com destaque aos universitários que os utilizam para melhorar a performance nos estudos. Fora das telas, no Brasil, os índices de ansiedade crescem exponencialmente juntamente ao consumo de medicamentos sem prescrição como retratado no documentário. Sobre esse aspecto, convém analisarmos os fatores perpetuantes desse impasse na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é evidente que o aumento de casos de ansiedade é proporcional ao crescente acesso às redes sociais. Segundo o sociólogo Zygmunt Balman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da modernidade líquida vivida no século XX. Tal perspectiva, pode ser observada até a contemporaneidade, no que diz respeito a priorização dos meios de comunicação em massa em relação as relações pessoais, na qual grande parcela dos indivíduos vivem a maior parte do tempo no mundo virtual se comparando aos digitais influencers, deixando de lado a realidade em que se encontram. Sendo assim, as mídias sociais tornaram-se um fator agravante para a ansiedade, dificultando seu combate.
Outrossim, pode-se observar a maioria da população em uma constante busca frenética de maior rendimento no trabalho e estudos. Segundo a teoria da Seleção Natural de Darwin, os seres mais aptos são selecionados pelo ambiente em que vivem. Seguindo essa linha de raciocínio, o brasileiro busca atender a demanda do mercado de trabalho atual, se “desdobrando”, para fazer diversas atividades ao mesmo tempo, como comer, falar ao telefone, dirigir e trabalhar deixando de lado o tempo de lazer e, concomitantemente, a saúde mental, assim recorrendo frequentemente às pílulas para tratamento sem indicação de especialistas. Logo, faz-se necessária uma intervenção que busque amenizar esse cenário.
Portanto, para combater a ansiedade no Brasil, urge que o Governo Federal juntamente ao Ministério da Saúde, invistam na capacitação de proficionais na área de saúde mental - a exemplo de psicólogos e psiquiatras - por meio da ampliação de vagas nas universidades federais, e exposição da alta demanda desses profissionais no cenário atual. Paralelamente, é importante exigir de empresas, escolas e universidades, profissionais dessa área que ofereçam suporte gratuito para os trabalhadores e estudantes das respectivas instituições, fazendo isso por meio de fiscalização e sujeição a multas se descumpridas as exigências. Somente assim, será possível combater a ansiedade e consequentemente, seus impactos para a sociedade contemporânea.