Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 17/12/2020

Na obra “Utopia”, de 1516, o filósofo Thomas Morus retrata uma sociedade ideal e perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de adversidades. No entanto, o que se observa hodiernamente é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios no combate à ansiedade na atualidade dificultam a concretização dos planos de Morus. Esse cenário antagônico é fruto tanto do tabu em torno da saúde mental, quanto do mau funcionamento do sistema de saúde no país. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

A princípio, é possível compreender o aumento do índice de casos de ansiedade como um reflexo da “modernidade líquida”. Essa teoria, do sociólogo Zygmund Bauman, afirma que, na modernidade, as imprevisíveis transformações sociais induzem o sujeito ao imediatismo, principal causa de tal mazela. Consequentemente, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população convivendo com tais transtornos, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Entretanto, atualmente evita-se falar sobre saúde mental, pois transtornos dessa ordem ainda são considerados tabus, ou seja, assuntos socialmente reprimidos. Por conseguinte, os doentes evitam procurar ajuda, por medo de sofrerem preconceitos devido à sua condição - contexto denominado “psicofobia”. Dessa maneira, a resolução do empecilho é retardada, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Ademais, é importante ressaltar a falta de estrutura para o tratamento e acompanhamento de quem sofre de ansiedade. Assim, apesar de a Constituição de 1988, em seu artigo 6º, garantir a saúde como um direito do cidadão, ná prática ainda faltam medicamentos e especialistas nos hospitais e unidades básicas da maior parte do país. Desse modo, sem uma assistência efetiva, os transtornos ansiosos se agravam e colocam em risco a vida dos portadores, bem como faz que milhares de indivíduos permaneçam em uma situação de vício em remédios por não terem ajuda gratuita diretamente - como a terapia. Nesse sentido, faz-se necessário a reformulação dessa portura estatal de forma urgente.

Torna-se evidente, portanto, que a questão dos desafios no combate à ansiedade no Brasil exige medidas concretas. Logo, é imprescindível que a mídia, com seu alto poder de persuasão, em conjunto à OMS, compartilhe campanhas de conscientização sobre a importância de diagnosticar e tratar a ansiedade, por meio de programas televisivos, com o intuito de amenizar os preconceitos da sociedade. Ademais, o presidente da república, por meio de medida provisória, devido aos seus efeitos imediatos, essenciais para amenizar o problema a curto prazo, deve fornecer subsídios para os ógãos públicos de saúde, como o SUS, objetivando a garantia de acesso à cuidados e a melhoria no antendimento aos pacientes com disstúbios de ansiedade. Desse modo, a coletividade alcançará a Utopia de Morus.