Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/12/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Nesse sentido, a saúde mental dos brasileiros é uma garantia constitucional e deve ser prioridade das políticas públicas de prevenção e tratamento. No entanto, conforme dados da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país com a população mais ansiosa do mundo. Esse dado revela a dificuldade para vencer os transtornos de ansiedade no contexto da sociedade do desempenho, realidade agravada pelo preconceito social ainda existente. Portanto, urge a intervenção das instituições públicas no combate a esse problema de saúde mental que é tão comum na coletividade contemporânea.

Sob esse viés, primeiramente, é necessário evidenciar a relação da ansiedade na sociedade com a excessiva cobrança por desempenho no modelo capitalista de produção. Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, as patologias neuronais, como a ansiedade, definem o século XXI e serão cada vez mais habituais em razão da exigência constante por eficiência e produtividade dos trabalhadores. Dessa forma, os obstáculos para combater os transtornos psíquicos são maximizados pela abordagem romantizada de um estilo de vida “workaholic” nas empresas e nas redes sociais, pois as pessoas tendem a desenvolver uma preocupação persistente para dar conta de todas as tarefas, o que pode desencadear crises de ansiedade.

Ademais, dentre os desafios para diminuir o alto índice de ansiosos na sociedade brasileira, tem-se a recorrente estigmatização das pessoas com transtornos mentais. Consoante dispõe o sociólogo canadense Erving Goffman, o estigma é uma classificação negativa para os indivíduos com comportamentos ou atributos considerados indesejáveis, incluindo nesses grupos estigmatizados as pessoas com algum distúrbio psiquiátrico. Com efeito, o preconceito social com a ideia de fazer acompanhamento com psiquiatra e terapeuta e, eventualmente, tratamento com fármacos, ainda é um tabu, o que atrapalha a busca por cuidados com a saúde mental. Esse tabu é injustificável e deve ser desconstruído, uma vez que no âmbito da sociedade do desempenho, todas as pessoas estão sujeitas a desenvolver ansiedade.

Registra-se, por fim, a importância de se combater efetivamente a ansiedade na sociedade atual. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde informar à população, por meio de publicidade nas mídias socias, sobre os cuidados preventivos à saúde mental, como a prática de meditação guiada, a fim de prevenir transtornos de ansiedade no cotidiano atribulado. Ademais, o Governo Federal deve investir em campanhas educativas nas escolas e nas universidades para incentivar a busca por ajuda médica em casos de ansiedade, bem como para evitar a estigmatização dessas pessoas.