Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 31/12/2020
Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês, em um de seus ensaios, introduz o debate acerca das interações sociais, tecendo uma forte contribuição ao entendimento da Modernidade com um estudo sobre o suicídio. Apesar da temática de Durkheim apresentar-se em um os extremos do espectro da psicologia social, seu trabalho é essencial para a compreensão de um fenômeno da sociedade contemporânea: a ansiedade. Nessa perspectiva, é urgente avaliar os desafios no combate à essa patologia a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida a todos os cidadãos.
Em primeiro plano, é essencial visualizar a ansiedade como uma questão que supera, na sua essência, o âmbito particular, assim como o suicídio, para o sociólogo supracitado, foi interpretado como um fato social que foge da perspectiva de ato isolado. Nesse sentido, os estigmas sociais que superam décadas tornaram-se um dos principais obstáculos para o enfrentamento da problemática, dado que o preconceito que permeia a coletividade nega o conhecimento e a amplitude desse distúrbio. De acordo com a Psicóloga María José González, em entrevista ao jornal “El País”, procurar ajuda e reconhecer a situação é uma forma de exposição fundamental para encarar o problema. Por consequência, tal atitude torna-se elemento chave na ressignificação do debate ao proporcionar um efeito cascata de humanização, afastando, assim, a perspectiva nefasta de fraqueza e imaturidade.
Em segundo plano, outro fator é essencial para combater tal aflição: a sociabilidade digitalizada na contemporaneidade. De acordo com uma pesquisa norte-americana divulgada pela revista “Galileu”, jovens que passam mais de três horas por dia nas redes sociais têm maior tendência a desenvolver transtornos emocionais. Nesse viés, as novas formas de interação (consequência da Terceira Revolução Industrial) promovem um ambiente hostil e intenso de comparação, proporcionando, por fim, um estado de frustração constante. Ainda que faltem comprovações científicas entre o aumento da ansiedade e as redes sociais, é inevitável considerar a influência desses canais no desgaste emocional dos usuários e o seu potencial conflitante para com a saúde mental da população.
Infere-se, portanto, que medidas de políticas públicas são necessárias para fortalecer a compreensão e o debate sobre a ansiedade. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, crie espaços de discussão e aprendizado nas instituições de ensino e nos ambientes digitais, por meio de rodas públicas de conversa e ações publicitárias nas redes sociais, a fim de introduzir o tema não apenas na sociedade como um todo, mas especialmente nos espaços de influência da juventude. Afinal, para que o bem-estar individual e coletivo seja plenamente desenvolvido, o conhecimento deve ser partilhado desde a base do tecido social.