Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 01/01/2021
Na obra cinematográfica “Tempos Modernos”, o ator Charles Chaplin dá vida a um operário que desenvolve sintomas de estresse e de ansiedade devido ao seu trabalho repetitivo e mecânico. Essa temática chama atenção para o avanço da ansiedade na população hodierna, realidade que configura risco à saúde pública. Logo, é necessário avaliar o crescimento dessa doença, o qual tem origem na lógica capitalista atual, seja pelo nível de produtividade cobrado dos indivíduos, seja pela fragilização das instituições sociais na era do consumismo.
A princípio, no texto “Cidadanias Mutiladas”, o geógrafo brasileiro Milton Santos aponta que o exercício da cidadania e a validação social no Brasil estão atrelados ao consumo. Nessa lógica, aqueles que não têm poder de compra são muitas vezes marginalizados e privados dos seus direitos constitucionais. Ocorre que, na visão capitalista, o sucesso financeiro está relacionado à alta produtividade laboral, perspectiva conhecida como meritocracia. Dessa forma, esse sistema exige alto rendimento constante da população e, portanto, colabora para o desenvolvimento de quadros de ansiedade, pois tal demanda não é coerente com a capacidade humana.
Sob outra análise, o enfraquecimento das estruturas sociais impacta a população e contribui para a ansiedade. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que vivemos em uma sociedade de consumo na qual instituições como o Estado, a família, e as próprias relações interpessoais estão cada vez mais volúveis e sem forma, como um líquido. Outrora, essas instituições eram fixas e capazes de dar suporte ao indivíduo, mas no presente são vulneráveis, o que provoca sensação crescente de insegurança acerca da vida e do futuro. Nesse sentido, a ansiedade advém também das incertezas geradas pelo fenômeno de liquidez descrito por Bauman.
Tendo em vista os desafios citados, depreende-se a necessidade de combatê-los para impedir o avanço da ansiedade na contemporaneidade. Para que isso ocorra, é necessário que as instituições de ensino promovam palestras para os alunos e seus responsáveis, com a presença de psicólogos e com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre essa doença e de estimular a reflexão crítica acerca dos impactos da exigência produtiva na saúde mental. Ademais, o Ministério da Saúde deve destinar verbas para os programas de saúde mental do Sistema Único de Saúde, com intuito de fornecer atendimento adequado às pessoas que sofrem de transtornos psicológicos como a ansiedade. Ainda, vendo a ação conjunta entre o Estado e o sistema educacional na mitigação do problema, o indivíduo poderá ter sua segurança reafirmada nessas instituições sociais. Assim sendo, a sociedade progredirá na luta contra a ansiedade.