Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 02/01/2021

‘‘A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse’’. Com essas palavras, o protagonista do filme ‘‘Coringa’’, Arthur Fleck, expressa a dificuldade de reconhecimento enfrentada por pessoas que possuem problemas psicológicos em um mundo apático e egocêntrico. Paralelamente, tal questão transcende a arte e mostra-se presente na realidade brasileira, uma vez que vigoram os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea, resultantes não só do imediatismo social, mas também das bases arcaicas de ensino das escolas. Todavia, para que haja uma reversão do quadro atual, faz-se necessário analisar as causas que contribuem para a continuidade da problemática em território pátrio.

Em primeiro plano, torna-se pertinente trazer a tese do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, acerca da ‘‘Modernidade Líquida’’: constiui-se na transfiguração do ser humano em imediato, o qual deixa de lado a espontaneidade para cobrar e ser cobrado por instantaneidade. Nesse sentido, tendo em análise o atual panorama brasileiro após a globalização, é indubitável a busca obsessiva e instantânea pelo sucesso, em detrimento do planejamento gradual e saudável. Portanto, por meio da massiva pressão social, bem como da superficialidade e frivolidade das relações interpessoais, as consequências apresentam-se cada vez mais precoces como, por exemplo, a ansiedade a partir da infância.

Em segundo plano, consoante à pedagoga Vera Maria Candau, o sistema educacional vigente está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Com efeito, o ensino técnico empregado nas instituições escolares, voltado apenas para o crescimento pessoal, em exclusão do progresso coletivo, corrobora o aumento de casos de ansiedade no país, haja vista a ínfima importância dada à estabilidade psicológica e emocional do aluno. Dessa forma, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o intuito de mitigar os desafios no combate à ansiedade. Para isso, é mister o governo federal em parceria com o Ministério da Educação, promoverem mudanças nas grades curriculares das escolas, de maneira que ratifique apoio psicológico semanal para os estudantes -por intermédio de psicólogos e/ou psiquiatras-, além de proporem alternativas lúdicas que disseminem o altruísmo e a alteridade. Nesse ínterim, mediante a aplicação organizada de impostos, também, é imprescindível a propagação de palestras periódicas em praças públicas, que aludam a respeito da ansiedade e de suas vertentes, com o objetivo de anular o descaso e a ignorância popular. Por fim, a sociedade superará tanto os transtornos causados pela ansiedade quanto a trágica fala de Fleck, na obra ‘‘Coringa’’.