Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 10/01/2021

O quadro “O grito”, do norueguês Edgard Munch, um dos precursores do expressionismo alemão, retrata a forma distorcida de um homem em estado de desespero mediante à constatação da solitude na realidade que o cerca. Na atual conjuntura social brasileira, tal cenário artístico se mostra em conformidade com o que se observa na contemporaneidade em decorrência dos desafios no combate à ansiedade. Isso se deve, sobretudo, à incerteza gerada pelas inúmeras decisões a serem tomadas e à influência das midias sociais no comportamento humano.

Cabe abordar, de antemão, a questão da instabilidade emocional hodierna gerada pela própria relação entre o indivíduo e o sistema econômico vigente como fato que fomenta a ansiedade. Nesse viés, determina-se que, constantemente, em decorrência da necessidade de preservação ou de melhora da situação em uma estrutura social ligada ao setor financeiro, as pessoas são impelidas a escolher entre opções antagônicas relacionadas a algo que impacta diretamente suas perspectivas de vida, como, por exemplo, qual curso universitário fazer ou mudar ou não de emprego. Sob essa ótica, o filósofo alemão Kiekergaard afirma ser essa infinitude de decisões a serem tomadas um fator que gera insegurança e, por conseguinte, ansiedade. Assim, é notório o efeito ansiogênico da atual estrutura social.

Ademais, é válido salientar, também, o efeito nocivo das mídias sociais na condução da forma como o homem enxerga o mundo, o que tem cada vez mais sido responsável pelo sentimento de desespero gerado nos indivíduos. Consoante a isso, o sociólogo alemão Zygmund Bauman afirma serem características da contemporaneidade o imediatismo e a superficialidade, fato decorrente das relações efêmeras firmadas em âmbito virtual. Essa realidade pode ser constatada pelo ato de colecionar uma rede de contatos nesses ambientes com o intuito de ampliar a popularidade, vista atualmente como característica inerente àquele que possui maior engajamento nas redes, com grande número de curtidas em fotos e vídeos. Nessa perspectiva, o fato de não atingir esse ideal pode ocasionar ansiedade, pela frustração em não alcançar a meta. Portanto, é nítido o efeito problemático das mídias.

Dessa forma, torna-se evidente a existência de fatores sociais que representam uma problemática para o combate à ansiedade na sociedade brasileira. Urge, desse modo, que as Unidades Básicas de Saúde implementem um programa de palestra mensal em praças públicas, abertas à comunidade, com a presença de profissionais da área médica que tratem a questão da ansiedade a partir de uma análise de suas causas, formas de reconhecer a doença, como tratar e esclarecimentos sobre a disponibilidade dessa instituição de acolher casos e dar a atenção devida. Isso terá o intuito de amenizar, a partir da conscientização, os impactos mentais das relações contemporâneas e eliminar a realidade de “O grito”.