Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/01/2021
No seriado estadunidense “The OA”, o personagem Jesse comete suicídio por overdose após desenvolver crises de ansiedade frequentes, as quais ele não sabia como lidar. Infelizmente, no Brasil contemporâneo, a realidade de grande parte da população se assemelha a vivida pelo personagem, no que se refere à falta de consciência ao lidar com o transtorno de ansiedade. Nesse contexto, emerge um problema em função da negligência familar e de uma base educacional lacunar.
Em primeira análise, vale destacar que a maneira como as famílias brasileiras lidam com a questão é um agravante para o problema. De acordo com a teoria do Fato Social, elaborada pelo sociólogo francês Durkheim, as primeiras formas de socialização de um indivíduo se reverberam na personalidade dele durante toda a sua vida. Sendo assim, as famílias, como o primeiro contato com a sociedade que alguém tem, possuem grande influência sob seus membros. Desse modo, o pouco destaque que esse grupo dá para assuntos tão importantes quanto a ansiedade e meios de combatê-la, faz com que a população dificilmente desenvolva a maturidade e a inteligencia emocional necessárias para que a questão seja amenizada.
Outrossim, as escolas também são uma causa evidente da problemática. Segundo o filósofo alemão Schopenhauer, a maneira como um indivíduo vê o mundo é limitada por aquilo que ele tem conhecimento. Dessa forma, fica claro que a falta de debate sobre inteligência emocional e sobre maneiras de identificar e de combater casos de ansiedade de maneira eficaz não só permite que indivíduos desenvolvam esse problema sem o menor conhecimento sobre ele, como também faz com que esse fenômeno seja encarado com naturalidade.
Dado o exposto, fica claro que uma intervenção se faz necessária. Para tal, cabe às escolas, em parceria com psicólogos, elaborar e incluir na grade curricular de todo ensino básico, aulas que abordem semanalmente sobre meios de identificar e de combater a ansiedade, bem como as consequências negativas proporcionadas por ela. As aulas devem conter relatos de pacientes e técnicas, desenvolvidas por especialistas no assunto, que contribuam para amenizar a intensidade das crises. Tudo isso para que todos os alunos - até mesmo aqueles cujas famílias não demonstram preocupação com a problemática - possam se conscientizar e diminuir os impactos psicológicos causados pela ansiedade nos indivíduos da atualidade.