Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 12/01/2021

Corrupção, violência, crise e incerteza. Essas quatro palavras sintetizam alguns dos problemas presentes no cotidiano do brasileiro médio. Esses problemas, por suas vezes, juntamente com o advento da Quarta Revolução Industrial, são diretamente responsáveis pela terrível epidemia de ansiedade no Brasil. Com base nisso, convém estudar mais a fundo as causas do problema para propor uma intervenção.

Em primeiro lugar, sob uma ótica socioeconômica, o intenso quadro de ansiedade no país arquiteta-se como um subproduto da negligência estatal. Segundo Aristóteles, política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum. Entretanto, contrariando o modelo de política pregado pelo filósofo grego, os governantes brasileiros se mostram incapazes de resolver problemas como o alto índice de desemprego, de criminalidade e de desigualdade social, prejudicando a todos. Esse cenário corrobora significativamente a intensificação da problemática explicitada, o que fica evidente ao observar um recente estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde), que posiciona o Brasil como o país mais ansioso do mundo.

Além disso, em uma análise socio-tecnológica, um fator que cataliza esse transtorno na sociedade é o rápido fluxo de informações às quais o indivíduo é diariamente submetido. As redes sociais, por exemplo, exercem um papel decisivo nessa conjuntura, visto que são um meio pelo qual a “indústria dos cliques” age de maneira inescrupulosa a fim de satisfazer seus interesses mercadológicos, ignorando sua responsabilidade social e gerando medo e incertezas por meio de manchetes sensacionalistas. Isso ficou muito evidente durante a recente sindemia de COVID-19, em que muitos divulgaram informações imprecisas para aumentarem engajamento.

Vê-se, portanto, que a problemática não pode ser menosprezada e deve-se tomar medidas para mitigá-la. Com essa finalidade, é mister que o Governo Federal, além de aumentar a punição para a veiculação de notícias falsas, facilite o acesso aos remédios ansiolíticos, sobretudo às classes menos abastadas, que são mais vulneráveis às volatilidades socioeconômicas. Isso poderia ser feito por meio da distribuição desses remédios em farmácias populares. Dessa forma, ações como essas possibilitarão a redução da crise e a saída do Brasil da infeliz primeira posição na lista da OMS (Organização Mundial de Saúde).