Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 05/04/2021
A adaptação cinematográfica do livro “As vantagens de ser invisível”, lançada em 2012 e escrita por Stephen Chbosky, apresenta diversos nuances da vida de Charlie. Dessa forma, dentre os vários aspectos trabalhados, é demonstrado como se desenvolve a ansiedade na narrativa desse personagem. A partir disso, assim como no filme, muitas pessoas, principalmente, adolescentes, convivem com esse transtorno diariamente, podendo se apresentar de diversas formas. Nesse sentido, na visão da sociedade, pode-se considerar um debate sem meio termo, isto é, há uma crescente onda de medicalização de eventos ansiosos e, ao mesmo tempo, a banalização da doença reina em muitos indivíduos.
Diante disso, no livro “A História da Loucura”, Michel Foucault desenvolve uma linha temporal dos diferentes momentos e formas de como a loucura foi vista pela sociedade. Diante disso, apesar do recorrente debate sobre a patologização das doenças mentais no século XX, a ideia pejorativa de transtornos como ansiedade e depressão são muito frequentes. Assim sendo, é muito comum se deparar com discursos triviais sobre essa temática, colocando pessoas ansiosas, por exemplo, em posições de “frescuragem” ou exageradas, situações essas identificadas no filme citado anteriormente.
Por outro lado, como demonstrado pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (IDUM), nos últimos anos o consumo de metilfenidato, principal medicamento estimulante do sistema nervoso central, aumentou 1616%, de 2008 à 2012. Dessa forma, há um processo crescente de medicalização da vida cotidiana, no qual, uma “epidemia” de diagnósticos se faz presente nesse debate. Exemplo disso, como desenvolvido no artigo “Para uma crítica da medicalização na educação”, da Marisa Eugênia, há uma tendência preocupante e, muitas vezes, errônea, de diagnósticos de comportamentos comuns de crianças em escolas, destacando-se transtornos de ansiedade e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Diante o exposto, fica evidente a importância de desenvolver ações que ajudem a reverter esse cenário. Portanto, analisando o debate de maneira geral, a banalização das doenças mentais, no caso, a ansiedade, e a medicalização equivocada se encontram em uma linha tênue, ou seja, na clara necessidade de orientação e divulgação de informações sobre o assunto. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com os Centros Municipais, poderia desenvolver ações educacionais, para pais e alunos, em escolas, com o intuito de diminuir a ignorância existente sobre o assunto. Além disso, estudos sobre a concretude e formas de diagnósticos mais eficazes sobre a ansiedade, poderiam ser pesquisados em Institutos Federais para ajudar em futuras ações no combate desse transtorno.