Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 08/04/2021
Atestado de desprezo
No livro ‘‘Holocauto brasileiro’’, de Daniela Arbex, retrata-se o modelo de internações desumanizadas mediadas pelo ideal de desprezo aos portadores de doenças metais. De maneira análoga, encontra-se dinamizado, na sociedade, o transtorno de ansiedade que apresenta entraves ao seu combate. Tal situação, agrava-se com a negligência dos ógãos públicos somada ao preconceito estruturalizado para com essa parcela da população. Dessa maneira, faz-se urgente a promoção de medidas para reverter o presente cenário.
Em primeira análise, as estruturas institucionais são carentes quanto a atenção dada à ansiedade. Segundo a Lei nº 10216/01, os portadores de doenças mentais desfrutam de proteção e direitos que devem ser supervisionados pelo Ministério Público. Entretando, na prática, tal garantia não é efetivada de maneira adequada, no meio social, uma vez que se faz ausente planos governamentais de apoio aos ansiosos, mas também a falta de informações de combate ao transtorno em escolas e redes trabalhistas. Dessa forma, com carência de ações, cria-se um ambiente pautado na perpetuação de casos de ansiedade.
Salienta-se, em segundo plano, que a presente patologia mental ainda é um tabu na sociedade. No filme ‘‘Coringa’’, de Todd Phillips, o personagem principal, que sofre com esquizofrenia, convive com os preconceitos construídos e dinamizados na população. Paralelamente, fora das telas, é notória a discriminação em relação aos ansiosos que são, constantemente, colocados em questionamentos perantes aos seus sintomas e necessidades. Nesse sentido, as pessoas que desenvolvem tal patologia são desmotivadas a procurarem auxílio médico e psicológico. Por conseguência, tem-se o agravamento dos sintomas que implicam evasão social e, consequentimente, o afastamento da cura.
Fica claro, portanto, que o combate à ansiedade encontra desafios preocupantes que impedem a erradicação da doença. Nessa acepção, cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, o dever de informar à população, por meio de campanhas públicas, a importância do combate ao preconceito gerado para com os portadores do transtorno. Além disso, é essencial a ampliação do número de psicólogos em hospitais e escolas públicas para ampliar o número de tratamento e também para consolidar a busca de ajuda e o reconhecimento da ansiedade como doença grave e merecedora de atenção e respeito. Somente assim, com medidas eficazes, ter-se-á socializado, no contexto nacional, atestados de cura e não mais de descaso.