Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 26/05/2021

Discursos meritocráticos. Cobranças por sucesso. São fatores da sociedade contemporânea que impulsionam para a reprodução da ansiedade, também chamado de mal do século XXI, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman. Diariamente, há desafios que são postos pelos indivíduos no combate da ansiedade, prejudicando a resolução de males da saúde mental de todos. Nesse sentido, convém analisar o estilo de sociedade atual que constitui um entrave, tal como os estigmas associados aos transtornos mentais.

Em primeiro plano, vale ressaltar que os indivíduos são estimulados a busca pelo sucesso desde a infância, sendo expostos constantemente a discursos meritocráticos. Segundo Byung-Chul Han, escritor do livro ‘’Sociedade do Cansaço’’, a sociedade é pautada pelo desempenho, ou seja, ser sempre o melhor em tudo, o que causa frustração, esgotamento e cansaço. Isto é, a busca por ser o melhor faz com que estes vivam sempre no futuro, com que corram sempre e viva sem tempo para coisas banais. Desse modo, a constante pressão interna forma indivíduos cansados, e consequentemente, ansiosos.

Além disso, a sociedade prolifera estigmas e estereótipos da saúde mental, ou seja, preconceitos e discriminações relacionados a ansiedade e depressão, o qual estes são pré-julgadas como pessoas fracas, além do conceito do senso comum de utilizar remédios para o tratamento, que são mal vistos devido ao receio de virar dependente e louco. Assim, com os impasses postos pela estigmatização, o Brasil é o país com maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dessa maneira, os indivíduos que sofrem com tais problemas, devido ao senso comum dos transtornos mentais, não recorrem a ajuda profissional para lidar com os males.

Logo, é possível afirmar que se deve aplicar medidas para lidar com os entraves ao combate da ansiedade. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, aplicar conhecimentos sobre a saúde mental fora do senso comum, tal como a não meritocracia, o direito ao lazer e a desmistificação do tratamento dos transtornos, por meio da inserção de psico-terapeutas e agentes de saúde nas instituições de ensino, direcionadas aos jovens das escolas e universidades, para que estes saibam como tratar a saúde mental. Nesse viés, a ansiedade diminuirá e não irá corresponder como o mal do século XXI.