Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2021

Ansiedade. Transtorno psiquiátrico caracterizado pela preocupação excessiva, insegurança e medo sem motivo aparente. Nos últimos anos, a doença apresentou crescimento espantoso e desenfreado, acometendo milhares de pessoas ao redor do mundo. Em meio a diversos tabus e preconceitos, doenças de cunho psicológico, lamentavelmente, ainda são extremamente discriminadas, prejudicando o ideal tratamento e atenção a elas direcionados.

Baseada numa visão ultrapassada e remota, a interferência médica no tratamento da ansiedade, muitas vezes munida de medicamentos, é vista como “algo destinado a loucos”, para “pessoas insanas, desequilibradas” ou até “doentes mentais”. Os remédios, extremamente pré-julgados, são ditos como “viciantes”, “que geram dependência”, “de alta toxicidade”, provocando grande aversão aos cuidados médicos destinados ao transtorno. Além disso, a recusa também se dá devivo aos possíveis efeitos colaterais provocados pelas medicações: sonolência, amnésia, fala arrastada, sedação, entre outros.

Outro fato a ser analisado é a premissa de que “Ansiedade é frescura!” - frase comumente ouvida por muitos jovens, segundo pesquisa. Influenciando inúmeras áreas do meio social - como desempenho escolar, relacionamentos ou participatividade coletiva - o mundo ao redor vê o ansioso como “fresco”, “mimizento”, “carente de atenção”, “incompetente”, entre diversos outros pejorativos provindos da falta de entendimento e estudo sobre o assunto. Nessa condição, o ansioso tende a acreditar no equívoco proferido e desistir de procurar ajuda, agravando ainda mais o quadro da doença.

Portanto, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. O SUS (Sistema Único de Saúde), em companhia do Ministério da Saúde, deve disponibilizar, através de campanhas filantrópicas, o acesso pleno ao ramo psiquiátrico para toda a população, desmistificando a doença e enfatizando a importância de seus cuidados. Também é de responsabilidade do Ministério da Educação que ensinamentos básicos - não só sobre ansiedade, como quaisquer doenças psicológicas - sejam oferecidos pelas escolas, evitando a desinformação e a criação de novos estigmas sobre o assunto. O cessamento de falsos pressupostos é indispensável para que os tratamentos adequados configurem-se de maneira eficiente.